O sensual, de uma forma só nossa

O sensual, de uma forma só nossa

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Crítica do livro O Sorriso do Gato Sedutor.
Por Rachel Mohtadi

Amiga Laura!!!!

Seu romance está mexendo muito comigo!!! Não consigo parar de lar. Não em função das experiências vividas nas mensagens, mas na ingenuidade da troca de carinhos por um espaço perigoso da rede social.

Estou fascinada com sua forma de escrever. Sinto-me tocada por experiências vivenciadas que me trouxeram dissabores. Cheguei a ler em um dia, quase a metade do livro, indo e voltando pra entender quem é quem, fantasia e realidade.

Associei Thais e a boneca das Tulipas e senti a Bernadete como este lado da Joana, querendo fugir de si mesma.

Sei lá, estou enlouquecendo. Muitas Joanas dentro de uma menina loira de olhos verdes.

Tenho  que parar de ler, andar minhas 18 voltas na praça (8km), depois, um banho gelado, aqui está 30 graus e tentar esconder o livro por hoje. Bjos, querida!!!

( Thais e a boneca; Rachel e Bernadete. Atrizes da peça Tulipa do Mosteiro, de Joana Rolim.)

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Mhário Lincoln e sua critica literária do O Sorriso do Gato Sedutor. Obrigada.

O Sorriso do Gato Sedutor
(*) Mhário Lincoln
  1. Primeiramente não posso deixar de citar aqui a atenção e a amabilidade de Joana R.L. Rolim em presentear-me com suas duas últimas obras. Um livro de belas poesias; e seu romance, 'O Sorriso do Gato Sedutor. (Sedução na Internet)'.
    Tenho lido muito nos últimos dois anos. Mas confesso novamente que o seduzido aqui fui eu. Da primeira a última página desse romance, espargiu-se ao longo dele, pura originalidade na condução do enredo. Diálogos na internet entre dois (à princípio) desconhecidos explodindo em proporções abissais.
    Não, não vou me prender ao enredo. Mas às qualidades inerentes a essa extraordinária condução da escrita de Joana Rolim, professora de Português e de Literatura brasileira; além de ser dramaturga, atriz e diretora de teatro.
    Como é visível a estonteante sensibilidade de quem está do outro lado da tela em situação completamente escura, mesmo sob toda a luminosidade dos neons do PC. Joana Rolim se mostra imensa no íntimo - e ainda - extraordinária ao detalhar, no plano da ficção-real, a angústia, muitas vezes, de ver florescer uma paixão iminentemente plausível, mas de uma corrosiva decepção, ao final.
    Um dos capítulos, o de número II, 'Outono Sensual' é uma entrega. Um 'abrir de cortinas' para a grande apresentação dançante de uma espécie de Margarita Zelle, ou Mata Hari, com as mesmas luzes de neon da telinha do computador, misturando-se aos gorjeios milimétricos dos e-mails ansiosamente abertos, cheios de poemas puros e impuros, ou, simplesmente, pedaços de paixão entranhados entre as teclas, cada uma, apertada vagarosamente, na dança das digitais sem rumo, sentindo enrijecer do espetáculo: "... Ainda sob efeito de seu poema...', confessa Dakini, personagem duo, dessa epopéia digital, na apoteose do gozo único e inesquecível.
    Tudo nesse livro tem começo, meio e fim. Tem enredo multicolorido, através de confissões multicores, multiideias. Um texto arrasador, desfigurado de mesmices implosivas e de roteiros iguais aos romances comprados nas padarias das esquinas.
    Uma linguagem indiscutivelmente elétrica. Sim. Quando a gente liga o computador de casa, imediatamente recebe uma carga energética vinda de muito longe, até atingir o medidor de alimentação. Assim é a harmonia simétrica - enfileirada - de cada parágrafo deste valioso 'O Sorriso do Gato Sedutor', de Joana Rolim.
    O livro mostra a beleza e a qualidade elencada nas músicas envolvidas nas conversas com Dakini. Luciano Bruno, musicalidade perfeita. De 'Quizás' ao 'Tema de Lara', passando por 'Moonligth Serenade'. Um enredo com fundo musical gracioso, romântico, sensual, entrecortado por leituras ofegantes de poemas raros, feitos - uns - para o outro.
    Ainda menções honrosas de autores: Sartre, Rousseau e Stierg Larsson - ah! fantástica trilogia - onde a personagem Lisbeth Salander foi deveras maior que o próprio criador. Lisbeth, a heroína do século 21, sem ter nascido neste século, teve como ancoradouro a menina Pippi Langstrump, a personagem principal de três livros infanto-juvenis da autora sueca Astrid Lindgren, editados em 1945-1948. É uma menina invulgar, "a mais forte do mundo", com sardas na cara, e tranças vermelhas. Aí, Larsson criou uma Pipi adulta, segundo li em suas 'relembranças'. (Permita-me, Sr. Larsson, comparar a sua Pipi-mulher, com a nossa menina-Joana Rolim).
    Como se vê, Joana Rolim navega num mar de conhecimento gnóstico, pois a essência da imortalidade de uma paixão digital, acabou transcendendo à própria autora e seu personagem 'Dark', num emaranhado de situações cósmicas, envolvendo comportamento, reações bioquímicas, neurofisiológicas, hormonais e psíquicas.
    A beleza de tudo é Joana Rolim ter colocado isso no papel de forma inteligível, submergindo o leitor nos cabos coxiais, nas fibras óticas, ou par traçado, misturando esses feixes de luz ao sangue de quem a lê.
    Os sabres de laser, mostrados em 'Guerra nas Estrelas', ao contrário, no livro de Joana Rolim - feixes óticos cibernéticos - guerreiam, como luzes via internet e e-mails, traduzindo passagens incríveis, podendo variar entre 'você é menina-pecado', ou, simplesmente, 'uma orquídea amarela para você'.
    Tanto que desse enredo, acredito eu, deve ter saido o outro livro - poesias - da autora - "O sensual, de uma forma só nossa". Ou vice-versa!
    E para alguém, como Joana, nascida na beira de um rio (São Mateus do Sul), sua veia literária deve permanecer ativa, além de sua mortalidade corporal. Seu romance me fez ver além dos montes. Fez-me pensar 'mais alto do que, apenas, palavras'.
    Esse ímpeto corajoso de Joana Rolim e sua forma de encarar a realidade, me lembrou, igualmente, a letra de 'Louder Than Words', do último CD do Pink Floyd, chamado de 'Rio sem Fim'. Diz:
    "(...) É mais alto que palavras/ Essa coisa que fazemos/ Mais alto que palavras/ A maneira que isso se desenrola/ É mais alto que palavras/ A soma de nossas partes/ A batida de nossos corações/ É mais alto que palavras/ Mais alto que palavras."
    Seja muito bem-vinda, Joana R.L. Rolim.
  2. Obrigada, Mhário, pelo carinho com que você criticou este livro. Meu abraço. 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Sobre o livro O Sorriso do Gato Sedutor

Elly Claire Jansson Lopes

...
Então, sobre o livro da Joana: fiz em princípo,

uma leitura rápida... aproveitando o repouso exigido pelo médico.
Muito bem boladas as articulações entre o real e a ficção. A estrutura, de frases nominais e enxutas, revelam domínio dessa técnica, que lembra Dalton Trevisan, exigem do leitor a imaginação do cenário e favorecem o clima psicológico. O ápice da trama prende bastante, cria a expectativa e aumenta a tensão. A mim me prendeu bastante e eu queria saber logo o desfecho. Nesse aspecto, mil elogios.
Agora quanto ao assunto do enredo: para minha cabeça, não me senti à vontade lendo aquelas conversas dos e-mails. Mas isto é uma questão pessoal. Claro que a literatura, como arte da palavra,  não se prende ao"que"se aborda, mas ao "como". E nesse sentido, a Joana brilhou. Parabéns! E Parabéns pela coragem de registrar e denunciar assunto tão pesado e oculto, que tem feito tantas vítimas. Valeu! Tanto o romance como os poemas.
Foi muito bom estar com a Joana 4a feira passada, após 31 anos sem nos ver. Parece mentira! Ela está ótima, cheia de sonhos, muita vida.
Fiquei feliz vendo-a assim.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O SORRISO DO GATO SEDUTOR
SEDUÇÃO NA INTERNET

de JOANA ROLIM


Uma mulher e um homem. Um encontro na vida. Nasce uma história:
O SORRISO DO GATO SEDUTOR

Sedução. No dicionário: 3. Dom de atrair ou de seduzir, próprio de certas pessoas...   5. Meio empregado para seduzir mulheres.

Era uma vez...
Cenário: computador. Tela iluminada. Ela, escritora. Ele, um homem ... sedutor.
O relacionamento não surgiu do nada. Houve um encontro formal.
No primeiro e-mail, uma frase dele: Temos muito a conversar. Ela parou para pensar. Mas não havia indícios para formular pensamentos. Ficou ??? !!!! , logo ‘aquecidos’ pela deliciosa correspondência, em que ela entrou inteira (ele também).

Para ela, um desafio. Como mulher e escritora: decifrar a linguagem de um sedutor.
Para ele?...
Páginas e páginas virtuais se escreveram. A correlação entre as palavras era bem dosada (as dela).Sabia o risco, sabia a prudência.

Na dele, a palavras sedutora, a magia, o envolvimento. Se ela se encantava? Encantava. Ela vinha macia, gostosa. Havia consistência na expressão sedutora, sonoridade artística, o vocábulo ordinário se vestindo de extraordinário.

Na dela, no início a expectativa. Mas um poema se fez. E a arte a puxou num ímpeto.
Sabia de sua condição de ‘segundo sexo’- expressão sábia de Simone de Bouvoir . Conhecia a essência destas palavras. Mais um desafio. Vencido. Resolveu aderir ao destino. Sabia o perigo, a inspiração, e a possível submissão – esta imposta pela civilização.
As personagens se entrelaçam, camuflando um mundo sensual-sexual, até as palavras se transformarem em atitudes?!, ações?!...


As leis elaboradas no universo do planeta Terra são do homem, não das mulheres.



VENDAS ON LINE:

www.osorrisodogatosedutor.blogspot.com





quinta-feira, 16 de junho de 2016

O sensual de uma forma só nossa é identidade do meu livro de poemas, que nasceu oficialmente em Genebra, em 1º de a bril de 2011. É uma história de amor virtual-real, real-virtual de Jahn e Dawna, personagens ficcionais. E o que é a  ficção, senão um nível de realidade? Assim o amor se fez real, na linguagem poética, na  linguagem que emerge da alma, que transforma vidas, alimenta-as, que faz sonhar.
Como no resumo do livro, o sonho inesperado sonhando o real.
Nasceu dentro de um romance, que eu estava escrevendo. Nasceu imerso na sensualidade, no amor, na sedução. E como é bom escrever sobre o amor - que nos envolve com a felicidade, que muda a cor de nossos olhos e do nosso mundo, nos inunda com cores e faz de nossas palavras arte. Convivendo com a sensualidade, com a sedução, veio, para a história, a inspiração, com sua fala meiga e gentil, seu sorriso ardente e carinhoso, fazendo surgir meu primeiro poema sensual, deixando-me perplexa na vida.  Ele materializa a emoção. E somos emoção.
E o sonho de amor e o sonho do escrever se tornaram um.

                                Palavra-pecado                                                 

Ele me disse, com sua boca carnuda e bela, 
E eu o ouvi avidamente:
"Te vejo despudoramente nua na minha frente,
Mas é impronunciável, ainda, uma palavra..."

Que palavra é essa?
Que palavra sexual, tão carregada de energia,
Queima sua boca, que se fecha, sufocando-o?
Teria a cor intensa do sexo, o gosto do pecado,
O cheiro do viver?
O som de estrelas que explodem?
- como explode meu corpo em contrações de lábios
Que se abrem e fecham, apertando o prazer!

No espaço não há som!
Mas há mistério!

Esse mesmo mistério que me alucina e me penetra,
Me queimando com seu esperma,
Como o relâmpago, que tudo transforma em fogo,
E em fogo explode meu orgasmo,
No instante final em que a mente se esvai...

                                                                Joana Rolim 

P.S. Direitos autorais protegidos por Lei, Regisrado na Fundação Biblioteca Nacional.

Palavra-pecado

Em entrevista, Elisabeth Badinter - tema feminista - afirmou: "a mãe perfeita é um mito". Filósofa francesa, expôs seu pensamento entre aspas: "Ainda no século XXI, a boa mãe é a que sofre". E fala das mulheres com expressão vazia enquanto cuidam de seus filhos nas praças e jardins.
Uma expressão vazia no olhar, sabemos o que é, ou a disfarçamos. Mas não confundir com a expressão de Clarice Lispector, falando de um alguém apaixonado: " a gente fica com os olhos vidrados, olhando para a lua".
Parei, olhos perdidos no espelho cinzento das lembranças, janela aberta, olhando a vida e ... me deparei com um outdoor, com um anúncio publicitário - um convite-vertigem de um mundo proibido, estranhamente apresentado pela mão do Cristo-imagem, no  Corcovado: "Tenha um caso agora! Arrependa-se depois." No mais estreito sigilo! Homens pagam. Mulheres não.
- Blasfêmia!- gritou a Igreja Católica, dona da propriedade da imagem. E acionou os responsáveis juridicamente.
- OK, não se contesta isso. Mas 'blasfêmia'!
- Moisés, o senhor e sua tábua sagrada! - estamos em 2011. Por que ela teima em pregar como pecado 'um caso'?

Meus olhos em qualquer ponto do espaço, o cérebro se discutiu: O quê? Do quê? De quê? Por quê? Traição? Trair o que já não é! Agressivo? Agressividade é grudar a mulher num nicho - com todas as suas consequências - e escrever a clássica frase eternizada pela humanidade: "a mãe: a dor". E se fosse  'a mãe: o prazer'? O masoquismo reinante na religião não permitirá nunca.
- Perdoar! - a lei do perdão, instituída pela Igreja, é uma lei que gira viciosa e banalizada. Estratégia: confissão. Penitência: uma oração. E assim a liberdade de se praticar um novo ato condenado se repete num processo contínuo, que atordoa, mas que acostuma. Livre! Perdoado! E se cristaliza, então, o outdoor da violência - assassinato, roubo, estupro, intromissão, droga, assalto, corrupção, mentira... Sabe-se de cor o dicionário que a caracteriza. No entanto, não se vê, na cidade-símbolo do Brasil, nenhuma ação jurídica por parte dessa 'guardiã dos bons costumes' contra a infame violência social, que vive e cresce e, como um polvo, estende seus tentáculos, apertando a garganta de vidas, sufocando-as. Como interpretar as mãos estendidas do Cristo-símbolo?
O que o site oferece? Momentos felizes. Sem impor, sem castigo, mas com convicção, realista e amarga, da insatisfação sexual humana, que sempre buscou no 'escondido' esse prazer, quando  a 'performance' não convence. Que paradoxo! Mas o site se  apoiou em pesquisas: milhões de insatisfeitos e insatisfeitas. Somos bilhões. Não são tantos assim. E já faz sucesso. O que a Igreja tem a ver com a decisão de cada um? Como ela, que dá o exemplo com seus crimes sexuais - na verdadeira acepção da expressão, contra mulheres e crianças, cometidos por seus 'ministros', e pagando, juridicamente, com o dízimo de fiéis, um mal que nunca será perdoado, impõe 'moralidade'?
Qual a cara do Brasil hoje? De  'otário'? De pessoas que, apesar de terem o livre-arbítrio (ditado pela Igreja) não podem decidir sua vida.?
- Se meter na vida dos outros! Que feio!
   
Milhões de pessoas já não têm a expressão vazia e, sim, cheia de cores da vida que urge (não ruge), antecipando o prazer, talvez também, junto a 'olhos vidrados, olhando para a lua...'

P.S. Pedidos de desculpa por parte da empresa puseram fim à questão. A empresa retirou o outdoor. Está perdoada.

- Que tal colocá-lo outra vez? Só no Rio? O Brasil é maior.

Continua...
Perdoar é uma palavra controversa.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Sobre Cinquenta Tons de Cinza

Tons cinzas de Cinderela

 (falando de um livro não lido? Cinquenta Tons de Cinza)

A guerra dos sexos

Quando pensamentos agem sobre outros pensamentos se torna possível formarmos nossa informação. E como comentei numa postagem anterior : Como Falar de Livros que não Lemos, falo de Cinquenta Tons de Cinza.

Uma foto da autora com um sorriso largo: Sexo não tem regras. E acrescenta: O sexo faz parte de nós. Pergunta óbvia’.  Você não sabia? 

O livro nasceu de uma brincadeira na internet e se transformou numa estratégia de marketing. O marketing é a excelência no domínio do cérebro na conquista de mentes, já que sabe como estimular lembranças do passado, estados futuros. Sexo é a ordem do dia, função necessária para a procriação, recompensada com prazer. Seres imaginários os têm, vampiros, morto-vivo, bruxos, lobisomens. Todos fazem sexo. A civilização é comandada por alguns poucos. ELES falam, os 90% obedecem. Os contos de fadas criam imagens cruéis. A neurociência nos abre a informação: vivemos a queda do centro de nós mesmos. Livre-arbítrio é uma ficção. O além é uma fixação. A gente é cérebro. Os memes  dominam. O cérebro pode ter danos. A vida da mulher é rotina. Quem não quer um orgasmo! Sucesso! 

Erika (E.L.James) explica que  o livro é um conto de fadas. Nasceu de Cinderela, de seu príncipe, do filme de vampiros, O Crepúsculo, e DA NECESSIDADE DO MERCADO: sexo para mulheres. Nada de mais, os contos de fadas são cruéis.  E fomos cridas com eles. Lembram daquele que a bruxa prende Joãozinho e Maria numa gaiola para comê-los depois? Madrasta humilhando Cinderela. Tá aí! Humilhação – Anastasia Este sentimento agride. Cristian espanca o bumbum da garota. Afinal ele é um sujeito traumatizado, dá surras, coloca fetiches dentro do corpo da mulher, obrigando-a a andar para ter sensações, a usar vendas, algemas, tudo que submete uma mulher à dor. Imobiliza-a física e moralmente. O abuso sexual o instigou na vida a chicotear as mulheres. Nosso cérebro faz nosso comportamento. Fora da situação sexual continuamos os mesmos. 

Freud decifrou a alma feminina? Que mito!  Com conceitos retrógrados do milênio passado! E vi o filme Um Método Perigoso! Jung e Freud. O filme é uma obra prima. Freud e Jung. Cenas à parte. Ouvi só, na conversa deles sobre o método psicanalítico, expressões: talvez, pode ser, isso representa algo para você, você mistura superstição. E uma cena que me parou. Parecia o Cristian açoitando a Anastasia. Vi Jung açoitando o bumbum da amante-paciente-com problemas histéricos.  Esclareço que é ela que pede. Mas ele aceita. Bate. E sabem por quê? Sabina só sentia prazer na dor. E muito interessante, também, é forma como ele foi influenciado por um ‘paciente com problemas mentais’, enviados por Freud. Açoitar a amante foi também um prazer para ele!  O filme diz tudo, num linguagem nota dez. Só podia dar no que deu. Freud associa o sexo à morte. Yung, o sexo à dor. Fico com Darwin. Sem alma. Sem dor.
Em uma entrevista, a autora se declara tão pervertida quanto quem a lê. Mas diz que conserva sua integridade! Conceitos são forjados. Integridade é nome abstrato.

Ao livro. 
Fiz três incursões no livro. Em poucas linhas, chicotadas, já citada na primeira postagem;, em outra, numa livraria, o tirei da pilha  de megassucessos: “Ele passava óleo de bebê na minha b... A outra, por acaso, três linhas das primeiras cem folhas. Já sei que nada acontece nelas.

O personagem, Cristian, procurando vítima para extravasar seu trauma sexual. Até aí, um homem rico, abusado por uma mulher. Sempre a velha desculpa. Isso lhe deu o direito de açoitar uma jovem virgem — tirada do começo do século passado, virgindade e inocência defendida.  Assim era, não é Freud? : ‘As mulheres nem  sabiam nem como nascia um bebê’. Ah! Ele a encontra e a faz vítima de sua trama. Ela é uma Cinderela, e ele vai mostrar-lhe que sexo  e dor andam juntos, enfim um homem mentalmente pervertido e traumatizado que achou uma mulher que se submeteu a ele. Homem rico é assim,  toma as mulheres, o pobre é que estupra, dizem no dia a dia. Verdade? Conhecem a história do Barba-azul?

Concluí que é uma história coreografada para incluir o sexo sadomasoquista. Me lembrei do Marquês de Sade... Site pornográfico inventa até historinhas legais. Claro que às vezes tratam as mulheres como animais (batendo no bumbum para ver a qualidade, tal qual se fazem em alguns animais), mas talvez eu não tenha me aprofundando e seja assim mesmo. Passeio romântico entre príncipe e Cinderelas, em interpretações tortuosas dos contos de fada. Tudo coreografado para incluir o sexo sadomasoquista. O milionário, a jovem inocente, virgem  (aliás, uma jovem brasileira – na internet- conseguiu um milhão e meio de dólares para ser desvirginada. Esperta! A virgindade vale ouro, meninas, guardem as suas como tesouro. Os tempos são outros. A propósito, a virgindade das Índias (12 anos) no Amazonas, vale R$20,00). Duas brasileiras e dois preços!
Do livro chega. Como diz o Arnaldo Jabor, o livro é ruim. O filme vai ser ruim. Confio no Jabor.

Mas é um megassucesso. 100 milhões de livros vendidos! . Num tom cinza de desafio, o romance está eletrizando mulheres e homens.
Mudei meu foco para os 100 milhões de leitores. Eles, elas são realmente os megassucessos.

As reportagens sobre o livro foram inteligentemente feitas. As perguntas, com segunda intenção e mensagens subliminares, desnudam a autora, o livro e as leitoras. Dá para se informar.
Assim, li testemunhos, críticas, humor (mulheres como as lagartixas), sacrifícios, opiniões. Expressões: É careta, o mais erótico, que impacta, tom (cinza) enigmático, vou pensar em atos iguais, cativa, choca, me apaixonei pelo Cristian?! Seduz com maestria, é tudo que a mulherada quer (aí, pera aí, chicote foi criado por ditadores, autoritários, mafiosos, pervertidos e religiosos).

O sucesso está no âmago das leitoras. Todas elas sonham em ser a ‘outra’! A que dá prazer! Isto partindo da classificação que os ‘ homens’ fizeram da mulher: a IMACULADA, a minha  (não tenham muita certeza),  e a OUTRA, mestra na arte sexual. Hoje, Elas querem ser a ‘OUTRA’! Um marido ciumento: E agora? O que minha mulher vai pedir na cama? Vai arranjar amante? Foi no que deu a historinha bíblica criada no alvorecer da civilização, fazendo-a sonhar com a felicidade com entes celestiai s- todos assexuados. A realidade em letras bem grandes: SEXO=PECADO CAPITAL. Os confessionários desapareceram. O feitiço virou contra o feiticeiro.

A mulher é e foi enganada desde os primórdios, é frágil e se dissolve na sua ignorância. Largar tudo é uma atitude drástica. É complicado o jogo do poder. Causa espanto.

Quem está por trás? Façam o caminho do dinheiro.

Me lembro da cena de estupro no livro de Stieg Larson, ( Os homens que não amavam as mulheres, o primeiro  de uma trilogia com o tema: tráfico de mulheres) em que ela, Lisbeth ( uma tremenda criação de personagem,)  enfrenta seu tutor, que já a estuprou mas quer repetir, grava as cenas com uma máquina de filmar e o ameaça com a divulgação. Se defendeu com inteligência. Ali havia uma personagem-mulher. Com seus traumas, gente, sexual, no sentido prazer. E Michael, então! Que homem! Só que o filme irritou pelo descaso para com o livro e personagens. 

Anastasia. Não é uma personagem. É um tipo – previsível, fabricada. Cristian uma fórmula. Como será o filme? Mega-sucesso? Tenho ou não razão? A perversão de Cristian é que enlouquece. Ah! E a que estava na escuridão mental de Anastasia.

Fiz uma adaptação do conto Cinderela para o teatro.  Quis tirar Cinderela da tortura conto  em que a fizeram protagonista. Eu lhe dei um toque de paciência e esperteza. Ela se safa da ficção e vem para a realidade numa outra peça. Odiava sua história. Quanto ao príncipe ela já o achava uma chatice. E PERVERTIDO. Mas a história era assim. Fazendo um paralelo com Cristian, o príncipe tinha uma psique conturbada, pode-se dizer pervertida. Dançou com ela três noites, conversou, a beijou, e, vendo que ela sempre se safava, pôs piche na escada para imobilizá-la. Não deu. Ela tirou o pé do sapatinho. À procura pela dona do sapato, Sua Alteza Imperial três vezes bateu na porta do Pai de Cinderela. Aceitou as outras duas irmãs a princípio,  mas  as irmãs tiveram que cortar dedo, calcanhar.

Cinderela — É conto de fadas ou conto-cão?

O príncipe voltou uma terceira vez. Viu-se enganado. E defrontou-se com Ashenputel.

 Cinderela — Não me reconheceu! Só olha para meu pé! Mate a charada. Deusa das Cinzas! Te disse no palácio! 

Eu, hein! 
Final: Sessão de autógrafos. Erika deslumbrada: ‘É uma diversão!’

Uma menina de 15 anos, com o livro, vem pedir um autógrafo a ela.
Erika (com vontade de dar um pito nela):

 Sua mãe sabe que você está lendo ISTO aqui? 
Erika está bem consciente que seu livro é um ‘ISTO AQUI’ sexual. A MENINA NÃO!

 Erika, por que o pseudônimo E.L.James?

Pausa para a poesia:


É doce o conhecimento trazido pela natureza;

Nosso intelecto intrometido

Deforma os belos feitios das coisas:

Assassinamos para dissecar. (Wiliam Wordsworth)

 P.S. O orgasmo é um verdadeiro quebra-cabeça científico, é presente da evolução e todos nós temos direito. Com prazer. Mas não é maioria... Existem 100milhões que gostam de ....

No site http://joanarolim.com/arquivo/  um documentário (sem imagens) sobre pesquisas e experiências científicas  para desvendar os segredos do sexo.  Com muita paciência.

Guerra dos sexos? Aí saímos ganhando! 20segundos a 2.
Joana Rolim