O sensual, de uma forma só nossa

O sensual, de uma forma só nossa

sábado, 29 de setembro de 2012

Escritores polêmicos

                                                            http://www.joanarolim.com

Escritores  polêmicos. Sem ripa.

 “Tem que haver espanto. Não se faz poesia no frio.”
“A poesia não nasce pela vontade da gente, ela nasce do espanto. Alguma coisa da vida que você não sabia. De vez em quando o não explicado se revela, e é isso que faz nascer a poesia. Não se faz poesia a frio. Sem o espanto, não faço.”

Ferreira Gullar. (Veja – 26/09/12)

“Livros não são crimes, são livros... Se não gosta de um livro, não leia, procure outro. Por isso há tantos livros no mundo, ninguém é obrigado a ler um livro de 600 páginas.”

Salman Rushdie (autor de Versos Satânicos)  Veja – 26/09/12

"Como ateu convicto, tendo a concordar com Voltaire que o judaísmo não é apenas uma religião, mas a seu modo a raiz de mal religioso. Sem os rabinos sisudos e sombrios e suas 163 proibições ranzinzas, poderíamos ter evitado todo o pesadelo do Velho Testamento, a grosseira transformação disso no cristianismo derivado da profecia e o plágio e a mutação posteriores do judaísmo e do cristianismo nas várias formas rivais do islamismo."

Hitch-22 (Christopher Hitchens)   Editora Nova Fronteira. 2010

“...Pense  na epilepsia. Se uma convulsão epilética se concentra em um determinado ponto do lobo temporal, a pessoa não terá convulsões  motoras, mas algo mais sutil. O efeito é parecido com uma convulsão cognitiva, marcada por mudanças na personalidade, hiper-religiosidade, a falsa sensação de uma presença externa e, com frequência, ouvir vozes que são atribuídas a um deus. Parte dos profetas, mártires e líderes da história parece ter tido epilepsia do lobo temporal.

Incógnito – As vidas secretas do cérebro. (David Eagleman) –Rocco,2011

"Um país de imprensa degenerada ou degenerescente é, portanto, um país cego e um país miasmado, um país de ideias falsas e sentimentos pervertidos, um país que, explorado na sua consciência, não poderá lutar com os vícios, que lhe exploram as instituições."

Citação no livro. A Imprensa e o Dever da Liberdade - Eugênio Bucci. 2009

"O sensacionalismo não precisa de princípios nem de originalidade. O que vende no sensacionalismo é o horror ou o fascínio que ele desperta. No jornal sensacionalista, o personagem que conta, o personagem constante, não são os sujeitos, descartáveis, desprezíveis que estão ali esquartejados na primeira página. O personagem principal é a morte, ela mesma."

A Imprensa e o Dever da Liberdade (Eugênio Bucci) Editora Contexto. 2009

"Muitos pais não percebem, mas seus filhos se tornaram idiotas", diz Ziraldo na Bienal do Livro.
“A família brasileira não lê. Nós temos a internet que pode ser a fonte da vida e do conhecimento, mas o computador é usado como brinquedo. Muitos pais não percebem, mas seus filhos se tornaram idiotas”, disse Ziraldo ao UOL. “Bote um livro na mão do seu filho e ensine o domínio da leitura. Se ele não dominar isso, só vai dar certo se souber jogar futebol ou dar porrada muito bem para entrar nesse UFC”. Liguei a TV de madrugada outro dia e vi dois seres se esfregando. Achei que fosse pornografia. E aí o chão começou a se encher de sangue como se tivesse rompido o hímen. Só depois percebi que era essas lutas”. (Lutas Marciais).

Do UOL, em São Paulo. 14/08/2012

"Viver juntos"
Para que pode servir a filosofia contemporânea? Para viver juntos, da melhor maneira: no debate racional, sem o qual não há democracia, na amizade, sem a qual não há felicidade, enfim na aceitação, sem a qual não há serenidade. Como escreveu Marcel Conche a propósito de Epicuro, "trata-se de conquistar a paz (pax, ataraxia) e a  filia, isto é, a amizade consigo mesmo e a amizade com outrem". Acrescentarei: e com a Cidade, o que é política, e com o mundo ─ que contém o eu, o outro, a Cidade... ─ o que é sabedoria.
Dirão que isso não é novo... A filosofia nunca é. A sabedoria sempre é."

A Sabedoria dos Modernos.( André Comte-Sponville, Luc Ferry) Ed. Martins Fontes. 1999.

Pausa para a Poesia:



sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A Ripa em Hollywood


Não lembro o filme. Lembro do cine Palácio. Me vejo saindo pelas portas laterais, aglomeração na rua estreita e as pessoas discutindo. O quê? Por quê? Nos filmes, onde sempre o 'mocinho' tinha a torcida da plateia, contra o bandido-vampiro voraz pelo sangue daquele, ali, a inversão: o bandido se sobrepôs na ética invertida: venceu o mal. Surpresa, mal-estar, atordoamento, estupefação das pessoas. Eu entre elas ‒ cara sem riso. A ripa em Hollywood. Sem respostas.

E a mudança na civilização se iniciou nítida ... Décadas se passaram... Hoje, o ponto de interrogação é uma exclamação. Sem dó maltrata as pessoas que ousam enfrentá-lo.

Estava eu numa reunião, sala caseira, amigas e amigos se revendo. Momento agradável. De repente, uma discussão: 3 donas de casa, as vozes alteradas, discutiam 'quem matou quem' na novela da nove. A cena me foi tão absurda, que não me contive: Gente,  ninguém  matou ninguém! Não houve crime!  Os olhares, ripas! Meu tom de voz? Minha interferência? Silêncio! Calei! Alfred Hitchcok: 'Não existe terror no estrondo, apenas na antecipação dele'. 
Há oito anos, 4 donas de casa em uma série: Desperates Housewives (Donas de casa desesperadas). Uma vez por semana, três meses no ano ‒ oito!!! Para entreter! O que vale é a discussão: antecipação dela. As donas de casa, conquistadas. Me fisgou.
O roteiro, de um homem. Mulher, assunto preferido! Dona de casa faz almoço, faz breakfast rotineiro, cuida de filhos, do marido, lava e passa, tem seu poquerzinho, espia pela janela. Vende sabão, máquina de lavar, vende crime. Fácil, fácil escrever sobre elas. Seguram audiência! Que fazer? Minha cara, sem riso, absorvia.  No início, legal! A pegadinha logo se absorveu minuciosamente em  8  anos-crimes! O crime entretendo!O título revelado no final: elas enterraram o padrasto de uma delas  estuprada por ele. O padrasto, estuprador, por não ter onde dormir, fora dormir na casa dela e, claro, casou com a mãe dela. Quem matou foi o Carlos, o marido dela. Com um candelabro! Houve julgamento, acusaram uma delas. Na camisa do morto, suas impressões digitais. Mas havia um pacto de amigas! Álibi do advogado, ' acho admirável você doar roupas', punha em cheque sua culpa.A saída de roteirista, que não sabe o que fazer: usou 'Deus ex machina'. 'Caiu do céu.' Uma amiga, idosa, na cama, entubada, com câncer, sem força, escutou a confissão da Gabi e pasmem... na hora H, no circo montado como um tribunal, chegou toda faceira e assumiu o crime!!! E declarou: Matei-o! Com o candelabro, arrastei o corpo até um bosque (longe) e o enterrei! Perguntas incrédulas. Respondeu: adrenalina, medo. Festa no tribunal! Festa na casa da acusada! Regada a champanhe. A idosa assumiu a cama, os tubos , fez de cara de cadáver, e morreu! As 4? Todas se tornaram milionárias. A ré tornou-se senadora num estado americano. O assassino e a mulher, programa de TV para vendas de roupas de griffe. A outra, com o marido num ap., visão da Quinta Avenida e champanhe. A outra vendeu tudo e foi cuidar de neto da filha adolescente. Daí, chegou outra dona de casa, com uma caixa e um segredo.  Mais 8 anos! Não!

Ficção? Realidade? O coringa que o diga!  Pegou a ripa e matou! 12. Na terra do tio Sam. O presidente, entristecido! A imprensa divulgou as fotos dos assassinados! Como vendeu! Entreteve! No Brasil, povo acostumado ao crime, onde a notícia de ’45 mil mulheres assassinadas’ por seus próximos já não usa a exclamação, não teve reação. Outra apologia ao crime, realizada dentro da prisão, como cerimônia religiosa, comparecimento total dos presos, agentes proibidos de estar com eles (notícia do dia 6/9/12 –Primeira Hora) sem reação também...

Olhei o sol azul... as pessoas na rua... Que imagem linda! A da Terra. Que imagem feia! A dos homens!

Fronteira entre ficção e realidade? É lero-lero!

Só então me dei conta do filme no cine Palácio! O bandido! O certo. O crime: o entretenimento! Sutilmente injetado nos cérebros. Com o aval de Hollywood! A fábrica de ilusão tornou-se a fábrica de ripas! Do crime!?

Que imagem linda! A Terra, os gansos, o Universo!
Que imagem degradante! A dos homens!
Que imagem preta!  A da mídia! A serviço do crime!?

P.S Já sei. Vão me contestar. Olho, ouço, falo só do negativo.
Não, é por olhar o que há de lindo na Terra, a ciência, a evolução tecnológica, os voluntários da ética, os que lutam pela beleza e perfeição da civilização – e vê-los tão ‘escondidos’, tão poucos, tão amedrontados, e eu estar entre eles, é que falo sozinha. Aqui.
Joana Rolim

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Os gansos. Uma ripa.


 Conj.2010. Um balcão, uma atendente em seu computador. Sala de paredes amarelas, desprovidas de qualquer outro elemento. O colorido e o som da televisão me atraíram, na falta de qualquer outra opção de distração, já que fechar os olhos e me envolver em pensamentos seria impossível.
Um ardoroso grafólogo. Uma apresentadora. Um texto para análise. Nela todo o caráter e a índole de um repórter se revelando na letra dele. Nada contra. Mas não me bate. Acabei aprendendo que a letra ‘o’ tem o ‘poder’ de definir o esbanjador e o  pão-duro. Uma vez detectada a anomalia na letra, pode-se, simplesmente, inverter o adjetivo que imprime o perfil da pessoa, simplesmente mudando o formato da letra. O esbanjador se torna pão-duro e vice-versa.
‒ Ah!Ah! Que fácil! ‒ comentei com a atendente também atenta.

Quebrando a sequência do quadro, uma cena me calou: gansos, centenas, enfileirados tal qual uma marcha, procissão ou desfile, sob o comando de um homem e uma ripa ‒ comprida, larga, bem equilibrada nas mãos calejadas? que mantinham a marcha dos gansos, escuros como o asfalto quebrado, pela rua dividida com carros, carroças, caminhão. Alguns paravam respeitando a marcha em ziguezague comandada e obedecida à risca pelos gansos faceiros e barulhentos sob o comando que os protegia.

Era uma imagem inédita, ofuscante pela beleza dos gansos e destreza do comando. Desciam em direção à lagoa, onde a água límpida? aguava a grama e ondeava a cada ganso que nela mergulhava.
O Homem foi entrevistado. Por acaso um jornalista por ali passava!
‒ Eles produzem mais quando são levados a passear pelas ruas.  Nenhum foi atropelado!
Ele disse. Está dito!

Essa imagem valeu! Guardei a imagem! Que imagem! Um homem, uma ripa e centenas de gansos ‒ poderiam ser milhares, não ser gansos, poderiam ser milhões ou bilhões  de homens ‒ mulheres inclusas.
O homem poderia ser algum homem ensandecido pelo poder, ou muitos, ou máfias do crime, políticas, religiosas, ou chefes de estado, conquistadores,  máfias  terroristas, líderes enlouquecidos pela ganância e poder ou ... briga por inveja, briga por dinheiro, briga por poder, briga pela sua própria loucura. Gritos, balbúrdia, mortos. Canto, música: fúnebre? A ripa balançava, agredia, machucava ou matava! Ou os alimentava com milho jogado no chão. E os mantia dentro da ripa.

Uma ripa para centenas de gansos. Uma ripa, uma arma, centenas de armas, centenas de balas, uma forca, instrumentos de tortura... Quais? Para o corpo ou para a mente? Ou para o corpo e para a mente.
Uma ripa para centenas de homens? Número inexato? Qual seria o exato?
Bilhões de pessoas marchando obedientes, sem atropelamento.
Mas são homens (mulheres inclusas). A farsa monumental refém de medos extravagantes. Mas nelas, de repente, um(ns) descontrolado(s), um(ns) desobediente(s), outro (s) com fome, um (ns) revoltado (s), tambores tocando, drogas drogando, assassinato assassinando, crianças assassinas se assumindo, condutores atropelando...

Marcha de homens e mulheres para a câmara de gás!
Marcha de homens e mulheres para as fogueiras acesas pelos representantes de “Deus”!
Marcha de homossexuais querendo seus direitos...(alguém os negou?)!
Marcha da maconha nos lábios clamando pela liberdade da fumaça...
Marcha silenciosa e disfarçada para estupro em cadeia...
Marcha de mulheres seminuas, ou quase nuas, reivindicando: ‘eu dou pra quem eu quero’! Quem diz não?
Marchas implorando pela liberdade. Déspotas metendo a ripa!
Marcha de mulheres cobertas, tendo os olhos e as mãos livres. Ou ficaram cegas ou suas mãos tombaram ensanguentadas. Ou os dois.

Mas não há marcha contra a corrupção, com políticos politiqueiros, contra o afogamento por impostos excessivos, contra as ‘quarenta e cinco mil mulheres assassinadas por seus próximos, contra a pedofilia, crianças desaparecidas, contra mulheres seviciadas ou seduzidas pela máfia da pornografia... pelos jovens a quem foram negadas uma educação de qualidade, nem marcha de trabalhadores pelo seu direito ( a dos sindicados não contam, trabalham por eles mesmos) e... E as mulheres? Sem marcha! Conformadas.

Assim caminha a humanidade, os sinos dobram para o maior espetáculo da Terra: no palco, o entretenimento, para o corpo e para mente, que os mantém dentro do espaço protegido pela ripa, que mantém os ‘gansos’ na plateia, aplaudindo. Sem água límpida aguando a vegetação.
Entrada livre. Saída paga. Às vezes com uma vida.

Que imagem linda! A dos gansos.
Que imagem feia! A dos homens.

Continua: A ripa em Hollywood.







quarta-feira, 1 de agosto de 2012

É BRINCADEIRA

Diante de um texto, o inesperado pode nos fisgar e  fotografar nosso corpo imóvel, até um grito nos acordar: "Tô aqui!" Foi  minha alma (energia) que explodiu, ao ler: "Ateu com alma". 
Passado o susto, fiquei feliz. Tenho alma! Que descoberta! Que  alegria! 
Parei pra pensar. Quem parou? Meu corpo? Minha alma? Se eu fosse atéia sem alma, quem pensaria? Qual seria minha identidade? Mas será que existe ateu sem alma? Seria um Ser bem esquisito! 
Tudo por causa de um texto lido, que fixa uma entrevista com Rebeca Goldstein, escritora (de Harvard) - publicou um livro dando dicas para o bom convívio de ateus e não ateus. ( Não sabia que não se davam bem.) O personagem dela, Cass Seltzer, é um ateu com alma.  
Tentei imaginar um ateu sem alma. Não deu. Mas para os religiosos dá! E como dá! É a teoria do "homem-dual" - corpo e alma. O corpo é da Terra, a alma, um pedaço de Deus! O corpo se alimenta com o que a natureza providencia, e fica por aqui. A alma se nutre do alimento transcendental - a espiritualidade - e vai para o céu. Vai pra onde mesmo? Que lugar é esse que ninguém conhece, nem ouviu falar, mas que a humanidade defende com 'unhas e dentes'? (Não com os meus.) Onde o eixo que une os dois? - me perguntei. Ficou confuso. Eu - cérebro - baratinei. Ah! Freud, você, que mapeou o inconsciente, deixou de fora a "ponte" até o consciente? Jung, seu "inconsciente coletivo", reunindo todas as mentes num só pensamento! Se você visse no que deu! 
Descobriram o DNA - do corpo . E o da alma? Ah! É de Deus. E o que impera no Brasil, dá pra envergonhar!
Fui até a palavra "anima". É 'energia' - que anima o corpo -  animava até há dois mil anos. De lá pra cá, passou a Ser transcendente, fazendo uma rápida viagem pelo Planeta. 'Espiritualidade' não é alimento transcendental não, é o 'poder de pensar a vida, experimentá-la, exercê-la, vivê-la diante do 'Infinito'. Do mistério. Afinal, não sabemos nem quem somos, pois o cérebro é ainda um mistério, apesar de sabermos nele alguma região que se faz marcar em alguma ação, ou mesmo manchas coloridas ativadas... Não sabemos nem em que matéria estamos mergulhados ( já falei disso), nem como as  pessoas chegaram à conclusão de que existe ateu com alma e ateu sem alma. Que confusão fazem com nossos vocábulos, quando dela se apropriam para seus intentos. (Aguardo o download de pensamentos.) E 'nutro' meu pensamento com a beleza do sol, do luar, do outro (especial), com tudo que encanta o Ser, principalmente o mistério. Aí está a chave! Deixo pra vocês pensarem.
E o ateu, já colocado no inferno - em vida!- tendo que ouvir frases constrangedoras, não para ele - quem disse que  elas o constrange?- ser qualificado de 'pedante', 'fanático', 'pecador', e vários adjetivos em oso: presunç, pretenci, vaid, orgulh, olha para o outro e vê o outro, olha para o infinito e vê o infinito.  E se for finito,  mas  vá lá, chega de confusão.  E nada de calar o corpo pra ouvir a alma, nem peregrinar pra se encontrar, o corpo usa os cinco sentidos (+ alguns) que nos fazem ter sensações deliciosas de vida e na vida. E como é bom!!! Charles Darwin, que bem você fez para a humanidade!
Ah! Ateu. Um Ser total! Único! 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Que legado, Eva!

Pesquisas são interessantes.Fixam quadros dantescos ou os transformam em charge, ou alimentam o mercado de consumo ou viram livros, ou realizam catarses ou...

Numa pesquisa da Indiana University, publicada no Archives of  Sexual Behavior, li sobre homens e mulheres - pesquisa feita por homens. "Homens gostam mais de carinho do que as mulheres". ?!?! O fato é que ficaram "atônitos". Até o que sei, devo então estar desatualizada,  a expressão é ao contrário.
Sabe-se então que mulheres não se importam muito com abraços e beijos, mas os homens, sim!!! Abraços e beijos os fazem trêêêsss vezes mais felizes. Não falaram do porquê.

A pesquisa suscitou comentários de profissionais no assunto. Instigou-os a investigar. E fizeram pesquisas com ... a mulher. Tinha que ser. E elas responderam. Que coragem! Três perguntas formuladas: sobre sentimentalismo ( não sentimento ), sensualidade e sexualidade. Sentimentalismo gerou lamúrias: "um homem com quem se compartilhe coisas, em quem se possa confiar,  que seja gentil". Sensualidade provocou nada menos que: "sorriso envolvente", "vigoroso, mas não necessariamente atlético", "apaixonado pela vida e sexo".  Sexualidade teve a ousadia de ter respostas "profundas": "Eles têm que ter mais paciência", "conhecê-las em detalhes", "jeito de tocá-las", "posições preferidas" e, a mais densa, "diálogo no dia a dia".

Ah! se tivessem perguntado por que os homens as chamam de "anjo", a resposta seria : Somos seres assexuados como eles". 

Como de questões e respostas como essas é que sai o alimento das normas de comportamento, de mercados de consumo, de reportagens de capa, de propagandas, da mídia em geral, numa imagem de photoshop ( ou desfigurando-a), parei pra pensar. Loira pensa!

Numa reflexão descolada, dessas que a gente fecha com uma risada, me disse: "É o legado de Eva!" Na simplória cena da... adivinhe! E a realidade tacanha se consolida, tal qual a maçã envenada dada, num gesto descarado, pelos contadores de história. Bruxos? "Ah! não!" "Calma, foi uma bruxa".

Que legado! Cresce mais que o nariz de pinóquio.

Tem gato escondido nesta história ( digo história porque ela estã perto de mim).

Aí o lado engraçado da história (que pode não haver acordo): Se Eva tivesse se dado a um sexo gostoso e sensual, e deixado de lado o sentimentalismo, nossa história seria outra. E me pergunto: Que cabeça(s) imbecil (is) inventou(aram) esta história? (Uso esta, porque ela está perto de mim.) E como ela se perpetuou? E o fato: A mulher como cúmplice. Como? O homem já tem a resposta na ponta da língua: " Foi ela que me tentou." Coitadinho! Vítima.  E impingiu na mulher o complexo de culpa.

E haja paciência para aguentar a história de alma gêmea, do pedaço que  me completa, do homem  que me procurou nesta vida, já tínhamos sido amantes em outra. Não sabia que faltava pedaço ao ser humano. Ah, me desculpem, é modo de falar! O fato é que, no atual, depois da "rebeldia  feminina, de gritos, de acordo com a situação, queima de sutiã, estamos mergulhadas em um paradoxo:  a sociedade em geral, desde a mídia, unida ao social-familiar, incentiva o  sentimentalismo (aqui vai bem),a sensualidade e a sexualidade  e, ao mesmo tempo,com o faro de um cão de guarda, transforma tudo isso num ato condenável, quando protagonistas são flagrados em um 'deslize' e se formam escândalos? memoráveis, pondo-se como guardiões da Árvore do Conhecimento.
 
É, a mulher está carente! Principalmente as casadas. Mas não é para se desesperarem. Estão aí os sites que " buscam amantes para mulheres casadas".

É só  cadastrar o perfil. Depois de vencer o desafio.

O instinto, atrevido e exultante, acessou! Já te contou?

P.S.
Sugiro ler o poema DETALHES, deste livro de poemas.



quinta-feira, 7 de junho de 2012

Metáforas de Liberdade


                                  
  Num exemplo simplista, uma reflexão de momento me levou ao último verso de um poema que escrevi: 'A escolha da liberdade'. Eu era jovem, talvez ainda não a entendesse. Mas a desejava. Resquícios de conceitos? Idealismo? O tempo, sempre o tempo, que dá cara aos momentos, me esboçou o passado: plantava-se no coração dos jovens o idealismo, a liberdade, alegria... trabalho. Mesmo no Brasil, aldeia fechada, que nos fechava também. Desmistifiquei obstáculos que impediam essas sementes de crescer. E tenho muito a aprender. Não sabia se elas venceriam. Meus textos foram meu diário. Eu vi um botão em cada texto escrito, e nas minhas poesias em particular. Foi nelas que aprendi a fazer metáforas.  A realidade se sobrepôs, e as metáforas se transformaram em arte. Jornada difícil. Aventura de vida. A metáfora na vida. Entendi.

  Liberdade tem Beleza, Elegância, Perfeição e Disciplina. Como o Universo.

  Assisti a uma entrevista, gravada, de Joseph Campbell ( O Poder do Mito). Toda a ânsia do Ser em criar uma ligação com o Universo.  Um exemplo de Mito. Mexeu comigo.  O mito e a expressão brilhante de seu olhar enquanto falava.
  "Ritual da sexualidade" entre índios: A festa dura dias. Muita dança, cantos. Uma cabana. Uma jovem, nua, deitada no chão. A jovem feliz.  Entra um rapaz para sua iniciação sexual. Depois mais um, outros. Felizes. Cientes de seu fim. Viveriam a sua verdade. No sexto, a cabana desaba. Mortos, assados, comidos.'

 Ainda na entrevista:
Repórter  ─ O mito é mentira!
Campbell ─ O mito é metáfora.
Repórter  ─ O mito é mentira!
  O escritor de repente compreendeu que o repórter não sabia o que era uma metáfora. Também questionou os mitos de hoje: Quais são nossos mitos? O mercado? Isso até 1987. De lá pra cá muita coisa, sutil e velozmente, aconteceu.

Assistindo ao jogo de vôlei da seleção brasileira, sua derrota previsível na quadra, observei um detalhe: em letras chamativas, o nome do patrocinador. Na camisa, no peito. Um pequeno símbolo, acima, se referia ao Brasil.
  Não era assim. Lembro-me das letras destacadas e inflamadas de entusiasmo -Brasil - nas camisas - verde - amarela - dos atletas. Eles representavam o Brasil. Tinham consciência disso. Eram nosso orgulho, éramos nós lutando - para vencer. Livres no patriotismo, no grito, na torcida, na alegria. Queríamos a Perfeição. A vitória. Foi uma sensação estranha.
  O detalhe na camisa me marcou. Como o brilho dos olhos do escritor, no caso horripilante narrado. Depois entendi que ele vibrava pelo mito em si. Este acabou. Outros não. Outros evoluíram. E fez a dramática pergunta: Quais os mitos atuais?
De lá para nossos dias, a humanidade deu um salto. Para o abismo? Cabe às gerações ainda presentes decidirem.
  
 Voltei ao jogo. O repórter, no desespero, gritava. Faltou técnica, faltou trabalho! Faltou responsabilidade! Disciplina! Faltou garra! Não pode deixar de receber a bola! O que é essa indecisão! Isso é levantamento?  Que tática!? Brasil! De repente um grande movimento. A torcida dele vai à loucura. Mais decisão! Mais potência na luta! Quanto mais erros você cometem, mais são dominados!  E a derrota. Não eram livres para a vitória.

Suas palavras  eram a ânsia de perfeição se manifestando, de liberdade abrindo uma brecha para a vitória, no grito de desespero ante a imagem da tristeza. Era comunicação íntegra, eficaz, que não comportava derrota. Mas aceita, cabisbaixa, coração apertado.

Onde nossos mitos para explicar o homem e o universo?
Fala-se no mercado, nas ideologias políticas ultrapassadas, que fazem e desfazem seguidores, que distribuem medalhas e  que criam suas próprias metáforas. Transformadas em realidade. E aguentemos os mitos arcaicos que nos dominam, dominam metade da humanidade, como os religiosos. Alguns de dois mil anos atrás. Outros mais. Outros recentes. Com personagens falsificados em tramas servis. A ciência é que defende a liberdade. Somos descendentes de símios. Agimos por imitação. 

Se mito é metáfora, ele não é mentira, mas não é realidade! Aí o problema. Transformar o mito em realidade. Mitos caducam. Aprisionam. São ninhos de preconceitos, de ignorância, são 'algemas invisíveis' (metáfora). Aí um empecilho para a liberdade. Aí o blefe imposto à humanidade.
Um vitória tem sua engrenagem. Na derrota do Brasil, ela não esteve presente. A liberdade tem sua essência. Me lembrei da Gestalt, de um seu princípio básico: o paradoxo: liberdade necessita de disciplina. Aprendi isso cedo. A minha e a compartilhada. Na comunidade. Na nação. No mundo.
Depois... o jogo de tênis. Federer jogando. A platéia iluminada com jogos de luzes, destacando rostos. Alegres, torcendo, vibrando, livres. Um cartaz se iluminou, uma metáfora brilhou: SE O TÊNIS FOSSE RELIGIÃO, FEDERER SERIA DEUS.
Nessa religião eu entraria: ELE lidera como gênio, lidera pela perfeição, pela liberdade, pela competência, pelo exemplo, pela emoção, não dita leis, não promete nada e não manda recados.
P.S. "Seus olhos (dele) são estrelas." Uma metáfora. Transformada em comparação: 'Seus olhos brilham como uma estrela brilha. Olhem mais atentamente para o seu olhar. Verão a liberdade.
Liberdade é comunicação.
                                                                                                         Joana Rolim

Joana Rolim: - Você escreve, de forma metafórica ou não, mas sempre com aquela condição indelevelmente sua, de criar uma imagem com palavras. Se alguém disse que "uma imagem vale mais que mil palavras", você com poucas plavras, cria mil imagem. Cada pessoa que lê seus escritos, tem mitos aceitos e metáforas não entendidas. Seres "mitó'ticos", não mitológicos, teimam em "ver" a vida, dentro da "ótica" de cada um, mas se têm "liberdade" para "enxergar"..., é outra história. À condição de Mitos, com facilidade, Poetas como nós são elevados. Nossas metáforas criam e dão liberdade a quem não tem. Se temos tais "Dons" que o vivamos ao menos..., com verdade ! Jinhos. em Metáforas de Liberdade
em 08/06/12
Mito se torna mito quando um coletivo tem uma crença em comum... é como você disse, um empecilho pra liberdade, e falando nela acho que a comunicação é autentica quando sai primeiramente de si e não do outro em você,que é mais cômodo ... Será que o livro, O poder do mito, já ficou démodé? A jornada do herói não está desgastada? :>)Beijo, Joana! em Metáforas de Liberdade
em 07/06/12

domingo, 20 de maio de 2012