O sensual, de uma forma só nossa

O sensual, de uma forma só nossa

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O SORRISO DO GATO SEDUTOR
SEDUÇÃO NA INTERNET

de JOANA ROLIM


Uma mulher e um homem. Um encontro na vida. Nasce uma história:
O SORRISO DO GATO SEDUTOR

Sedução. No dicionário: 3. Dom de atrair ou de seduzir, próprio de certas pessoas...   5. Meio empregado para seduzir mulheres.

Era uma vez...
Cenário: computador. Tela iluminada. Ela, escritora. Ele, um homem ... sedutor.
O relacionamento não surgiu do nada. Houve um encontro formal.
No primeiro e-mail, uma frase dele: Temos muito a conversar. Ela parou para pensar. Mas não havia indícios para formular pensamentos. Ficou ??? !!!! , logo ‘aquecidos’ pela deliciosa correspondência, em que ela entrou inteira (ele também).

Para ela, um desafio. Como mulher e escritora: decifrar a linguagem de um sedutor.
Para ele?...
Páginas e páginas virtuais se escreveram. A correlação entre as palavras era bem dosada (as dela).Sabia o risco, sabia a prudência.

Na dele, a palavras sedutora, a magia, o envolvimento. Se ela se encantava? Encantava. Ela vinha macia, gostosa. Havia consistência na expressão sedutora, sonoridade artística, o vocábulo ordinário se vestindo de extraordinário.

Na dela, no início a expectativa. Mas um poema se fez. E a arte a puxou num ímpeto.
Sabia de sua condição de ‘segundo sexo’- expressão sábia de Simone de Bouvoir . Conhecia a essência destas palavras. Mais um desafio. Vencido. Resolveu aderir ao destino. Sabia o perigo, a inspiração, e a possível submissão – esta imposta pela civilização.
As personagens se entrelaçam, camuflando um mundo sensual-sexual, até as palavras se transformarem em atitudes?!, ações?!...


As leis elaboradas no universo do planeta Terra são do homem, não das mulheres.



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Livrarias Curitiba

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quinta-feira, 16 de junho de 2016

O sensual de uma forma só nossa é identidade do meu livro de poemas, que nasceu oficialmente em Genebra, em 1º de a bril de 2011. É uma história de amor virtual-real, real-virtual de Jahn e Dawna, personagens ficcionais. E o que é a  ficção, senão um nível de realidade? Assim o amor se fez real, na linguagem poética, na  linguagem que emerge da alma, que transforma vidas, alimenta-as, que faz sonhar.
Como no resumo do livro, o sonho inesperado sonhando o real.
Nasceu dentro de um romance, que eu estava escrevendo. Nasceu imerso na sensualidade, no amor, na sedução. E como é bom escrever sobre o amor - que nos envolve com a felicidade, que muda a cor de nossos olhos e do nosso mundo, nos inunda com cores e faz de nossas palavras arte. Convivendo com a sensualidade, com a sedução, veio, para a história, a inspiração, com sua fala meiga e gentil, seu sorriso ardente e carinhoso, fazendo surgir meu primeiro poema sensual, deixando-me perplexa na vida.  Ele materializa a emoção. E somos emoção.
E o sonho de amor e o sonho do escrever se tornaram um.

                                Palavra-pecado                                                 

Ele me disse, com sua boca carnuda e bela, 
E eu o ouvi avidamente:
"Te vejo despudoramente nua na minha frente,
Mas é impronunciável, ainda, uma palavra..."

Que palavra é essa?
Que palavra sexual, tão carregada de energia,
Queima sua boca, que se fecha, sufocando-o?
Teria a cor intensa do sexo, o gosto do pecado,
O cheiro do viver?
O som de estrelas que explodem?
- como explode meu corpo em contrações de lábios
Que se abrem e fecham, apertando o prazer!

No espaço não há som!
Mas há mistério!

Esse mesmo mistério que me alucina e me penetra,
Me queimando com seu esperma,
Como o relâmpago, que tudo transforma em fogo,
E em fogo explode meu orgasmo,
No instante final em que a mente se esvai...

                                                                Joana Rolim 

P.S. Direitos autorais protegidos por Lei, Regisrado na Fundação Biblioteca Nacional.

Palavra-pecado

Em entrevista, Elisabeth Badinter - tema feminista - afirmou: "a mãe perfeita é um mito". Filósofa francesa, expôs seu pensamento entre aspas: "Ainda no século XXI, a boa mãe é a que sofre". E fala das mulheres com expressão vazia enquanto cuidam de seus filhos nas praças e jardins.
Uma expressão vazia no olhar, sabemos o que é, ou a disfarçamos. Mas não confundir com a expressão de Clarice Lispector, falando de um alguém apaixonado: " a gente fica com os olhos vidrados, olhando para a lua".
Parei, olhos perdidos no espelho cinzento das lembranças, janela aberta, olhando a vida e ... me deparei com um outdoor, com um anúncio publicitário - um convite-vertigem de um mundo proibido, estranhamente apresentado pela mão do Cristo-imagem, no  Corcovado: "Tenha um caso agora! Arrependa-se depois." No mais estreito sigilo! Homens pagam. Mulheres não.
- Blasfêmia!- gritou a Igreja Católica, dona da propriedade da imagem. E acionou os responsáveis juridicamente.
- OK, não se contesta isso. Mas 'blasfêmia'!
- Moisés, o senhor e sua tábua sagrada! - estamos em 2011. Por que ela teima em pregar como pecado 'um caso'?

Meus olhos em qualquer ponto do espaço, o cérebro se discutiu: O quê? Do quê? De quê? Por quê? Traição? Trair o que já não é! Agressivo? Agressividade é grudar a mulher num nicho - com todas as suas consequências - e escrever a clássica frase eternizada pela humanidade: "a mãe: a dor". E se fosse  'a mãe: o prazer'? O masoquismo reinante na religião não permitirá nunca.
- Perdoar! - a lei do perdão, instituída pela Igreja, é uma lei que gira viciosa e banalizada. Estratégia: confissão. Penitência: uma oração. E assim a liberdade de se praticar um novo ato condenado se repete num processo contínuo, que atordoa, mas que acostuma. Livre! Perdoado! E se cristaliza, então, o outdoor da violência - assassinato, roubo, estupro, intromissão, droga, assalto, corrupção, mentira... Sabe-se de cor o dicionário que a caracteriza. No entanto, não se vê, na cidade-símbolo do Brasil, nenhuma ação jurídica por parte dessa 'guardiã dos bons costumes' contra a infame violência social, que vive e cresce e, como um polvo, estende seus tentáculos, apertando a garganta de vidas, sufocando-as. Como interpretar as mãos estendidas do Cristo-símbolo?
O que o site oferece? Momentos felizes. Sem impor, sem castigo, mas com convicção, realista e amarga, da insatisfação sexual humana, que sempre buscou no 'escondido' esse prazer, quando  a 'performance' não convence. Que paradoxo! Mas o site se  apoiou em pesquisas: milhões de insatisfeitos e insatisfeitas. Somos bilhões. Não são tantos assim. E já faz sucesso. O que a Igreja tem a ver com a decisão de cada um? Como ela, que dá o exemplo com seus crimes sexuais - na verdadeira acepção da expressão, contra mulheres e crianças, cometidos por seus 'ministros', e pagando, juridicamente, com o dízimo de fiéis, um mal que nunca será perdoado, impõe 'moralidade'?
Qual a cara do Brasil hoje? De  'otário'? De pessoas que, apesar de terem o livre-arbítrio (ditado pela Igreja) não podem decidir sua vida.?
- Se meter na vida dos outros! Que feio!
   
Milhões de pessoas já não têm a expressão vazia e, sim, cheia de cores da vida que urge (não ruge), antecipando o prazer, talvez também, junto a 'olhos vidrados, olhando para a lua...'

P.S. Pedidos de desculpa por parte da empresa puseram fim à questão. A empresa retirou o outdoor. Está perdoada.

- Que tal colocá-lo outra vez? Só no Rio? O Brasil é maior.

Continua...
Perdoar é uma palavra controversa.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Sobre Cinquenta Tons de Cinza

Tons cinzas de Cinderela

 (falando de um livro não lido? Cinquenta Tons de Cinza)

A guerra dos sexos

Quando pensamentos agem sobre outros pensamentos se torna possível formarmos nossa informação. E como comentei numa postagem anterior : Como Falar de Livros que não Lemos, falo de Cinquenta Tons de Cinza.

Uma foto da autora com um sorriso largo: Sexo não tem regras. E acrescenta: O sexo faz parte de nós. Pergunta óbvia’.  Você não sabia? 

O livro nasceu de uma brincadeira na internet e se transformou numa estratégia de marketing. O marketing é a excelência no domínio do cérebro na conquista de mentes, já que sabe como estimular lembranças do passado, estados futuros. Sexo é a ordem do dia, função necessária para a procriação, recompensada com prazer. Seres imaginários os têm, vampiros, morto-vivo, bruxos, lobisomens. Todos fazem sexo. A civilização é comandada por alguns poucos. ELES falam, os 90% obedecem. Os contos de fadas criam imagens cruéis. A neurociência nos abre a informação: vivemos a queda do centro de nós mesmos. Livre-arbítrio é uma ficção. O além é uma fixação. A gente é cérebro. Os memes  dominam. O cérebro pode ter danos. A vida da mulher é rotina. Quem não quer um orgasmo! Sucesso! 

Erika (E.L.James) explica que  o livro é um conto de fadas. Nasceu de Cinderela, de seu príncipe, do filme de vampiros, O Crepúsculo, e DA NECESSIDADE DO MERCADO: sexo para mulheres. Nada de mais, os contos de fadas são cruéis.  E fomos cridas com eles. Lembram daquele que a bruxa prende Joãozinho e Maria numa gaiola para comê-los depois? Madrasta humilhando Cinderela. Tá aí! Humilhação – Anastasia Este sentimento agride. Cristian espanca o bumbum da garota. Afinal ele é um sujeito traumatizado, dá surras, coloca fetiches dentro do corpo da mulher, obrigando-a a andar para ter sensações, a usar vendas, algemas, tudo que submete uma mulher à dor. Imobiliza-a física e moralmente. O abuso sexual o instigou na vida a chicotear as mulheres. Nosso cérebro faz nosso comportamento. Fora da situação sexual continuamos os mesmos. 

Freud decifrou a alma feminina? Que mito!  Com conceitos retrógrados do milênio passado! E vi o filme Um Método Perigoso! Jung e Freud. O filme é uma obra prima. Freud e Jung. Cenas à parte. Ouvi só, na conversa deles sobre o método psicanalítico, expressões: talvez, pode ser, isso representa algo para você, você mistura superstição. E uma cena que me parou. Parecia o Cristian açoitando a Anastasia. Vi Jung açoitando o bumbum da amante-paciente-com problemas histéricos.  Esclareço que é ela que pede. Mas ele aceita. Bate. E sabem por quê? Sabina só sentia prazer na dor. E muito interessante, também, é forma como ele foi influenciado por um ‘paciente com problemas mentais’, enviados por Freud. Açoitar a amante foi também um prazer para ele!  O filme diz tudo, num linguagem nota dez. Só podia dar no que deu. Freud associa o sexo à morte. Yung, o sexo à dor. Fico com Darwin. Sem alma. Sem dor.
Em uma entrevista, a autora se declara tão pervertida quanto quem a lê. Mas diz que conserva sua integridade! Conceitos são forjados. Integridade é nome abstrato.

Ao livro. 
Fiz três incursões no livro. Em poucas linhas, chicotadas, já citada na primeira postagem;, em outra, numa livraria, o tirei da pilha  de megassucessos: “Ele passava óleo de bebê na minha b... A outra, por acaso, três linhas das primeiras cem folhas. Já sei que nada acontece nelas.

O personagem, Cristian, procurando vítima para extravasar seu trauma sexual. Até aí, um homem rico, abusado por uma mulher. Sempre a velha desculpa. Isso lhe deu o direito de açoitar uma jovem virgem — tirada do começo do século passado, virgindade e inocência defendida.  Assim era, não é Freud? : ‘As mulheres nem  sabiam nem como nascia um bebê’. Ah! Ele a encontra e a faz vítima de sua trama. Ela é uma Cinderela, e ele vai mostrar-lhe que sexo  e dor andam juntos, enfim um homem mentalmente pervertido e traumatizado que achou uma mulher que se submeteu a ele. Homem rico é assim,  toma as mulheres, o pobre é que estupra, dizem no dia a dia. Verdade? Conhecem a história do Barba-azul?

Concluí que é uma história coreografada para incluir o sexo sadomasoquista. Me lembrei do Marquês de Sade... Site pornográfico inventa até historinhas legais. Claro que às vezes tratam as mulheres como animais (batendo no bumbum para ver a qualidade, tal qual se fazem em alguns animais), mas talvez eu não tenha me aprofundando e seja assim mesmo. Passeio romântico entre príncipe e Cinderelas, em interpretações tortuosas dos contos de fada. Tudo coreografado para incluir o sexo sadomasoquista. O milionário, a jovem inocente, virgem  (aliás, uma jovem brasileira – na internet- conseguiu um milhão e meio de dólares para ser desvirginada. Esperta! A virgindade vale ouro, meninas, guardem as suas como tesouro. Os tempos são outros. A propósito, a virgindade das Índias (12 anos) no Amazonas, vale R$20,00). Duas brasileiras e dois preços!
Do livro chega. Como diz o Arnaldo Jabor, o livro é ruim. O filme vai ser ruim. Confio no Jabor.

Mas é um megassucesso. 100 milhões de livros vendidos! . Num tom cinza de desafio, o romance está eletrizando mulheres e homens.
Mudei meu foco para os 100 milhões de leitores. Eles, elas são realmente os megassucessos.

As reportagens sobre o livro foram inteligentemente feitas. As perguntas, com segunda intenção e mensagens subliminares, desnudam a autora, o livro e as leitoras. Dá para se informar.
Assim, li testemunhos, críticas, humor (mulheres como as lagartixas), sacrifícios, opiniões. Expressões: É careta, o mais erótico, que impacta, tom (cinza) enigmático, vou pensar em atos iguais, cativa, choca, me apaixonei pelo Cristian?! Seduz com maestria, é tudo que a mulherada quer (aí, pera aí, chicote foi criado por ditadores, autoritários, mafiosos, pervertidos e religiosos).

O sucesso está no âmago das leitoras. Todas elas sonham em ser a ‘outra’! A que dá prazer! Isto partindo da classificação que os ‘ homens’ fizeram da mulher: a IMACULADA, a minha  (não tenham muita certeza),  e a OUTRA, mestra na arte sexual. Hoje, Elas querem ser a ‘OUTRA’! Um marido ciumento: E agora? O que minha mulher vai pedir na cama? Vai arranjar amante? Foi no que deu a historinha bíblica criada no alvorecer da civilização, fazendo-a sonhar com a felicidade com entes celestiai s- todos assexuados. A realidade em letras bem grandes: SEXO=PECADO CAPITAL. Os confessionários desapareceram. O feitiço virou contra o feiticeiro.

A mulher é e foi enganada desde os primórdios, é frágil e se dissolve na sua ignorância. Largar tudo é uma atitude drástica. É complicado o jogo do poder. Causa espanto.

Quem está por trás? Façam o caminho do dinheiro.

Me lembro da cena de estupro no livro de Stieg Larson, ( Os homens que não amavam as mulheres, o primeiro  de uma trilogia com o tema: tráfico de mulheres) em que ela, Lisbeth ( uma tremenda criação de personagem,)  enfrenta seu tutor, que já a estuprou mas quer repetir, grava as cenas com uma máquina de filmar e o ameaça com a divulgação. Se defendeu com inteligência. Ali havia uma personagem-mulher. Com seus traumas, gente, sexual, no sentido prazer. E Michael, então! Que homem! Só que o filme irritou pelo descaso para com o livro e personagens. 

Anastasia. Não é uma personagem. É um tipo – previsível, fabricada. Cristian uma fórmula. Como será o filme? Mega-sucesso? Tenho ou não razão? A perversão de Cristian é que enlouquece. Ah! E a que estava na escuridão mental de Anastasia.

Fiz uma adaptação do conto Cinderela para o teatro.  Quis tirar Cinderela da tortura conto  em que a fizeram protagonista. Eu lhe dei um toque de paciência e esperteza. Ela se safa da ficção e vem para a realidade numa outra peça. Odiava sua história. Quanto ao príncipe ela já o achava uma chatice. E PERVERTIDO. Mas a história era assim. Fazendo um paralelo com Cristian, o príncipe tinha uma psique conturbada, pode-se dizer pervertida. Dançou com ela três noites, conversou, a beijou, e, vendo que ela sempre se safava, pôs piche na escada para imobilizá-la. Não deu. Ela tirou o pé do sapatinho. À procura pela dona do sapato, Sua Alteza Imperial três vezes bateu na porta do Pai de Cinderela. Aceitou as outras duas irmãs a princípio,  mas  as irmãs tiveram que cortar dedo, calcanhar.

Cinderela — É conto de fadas ou conto-cão?

O príncipe voltou uma terceira vez. Viu-se enganado. E defrontou-se com Ashenputel.

 Cinderela — Não me reconheceu! Só olha para meu pé! Mate a charada. Deusa das Cinzas! Te disse no palácio! 

Eu, hein! 
Final: Sessão de autógrafos. Erika deslumbrada: ‘É uma diversão!’

Uma menina de 15 anos, com o livro, vem pedir um autógrafo a ela.
Erika (com vontade de dar um pito nela):

— Sua mãe sabe que você está lendo ISTO aqui? 
Erika está bem consciente que seu livro é um ‘ISTO AQUI’ sexual. A MENINA NÃO!

— Erika, por que o pseudônimo E.L.James?

Pausa para a poesia:


É doce o conhecimento trazido pela natureza;

Nosso intelecto intrometido

Deforma os belos feitios das coisas:

Assassinamos para dissecar. (Wiliam Wordsworth)

 P.S. O orgasmo é um verdadeiro quebra-cabeça científico, é presente da evolução e todos nós temos direito. Com prazer. Mas não é maioria... Existem 100milhões que gostam de ....

No site http://joanarolim.com/arquivo/  um documentário (sem imagens) sobre pesquisas e experiências científicas  para desvendar os segredos do sexo.  Com muita paciência.

Guerra dos sexos? Aí saímos ganhando! 20segundos a 2.
Joana Rolim

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

ONU- PRECONCEITO CONTRA A MULHER



ONU Preconceito contra a mulher.

 
É fato que hoje em dia as mulheres conquistaram grande parte dos direitos que antes eram somente concedidos aos homens, mas o machismo ainda continua vivo, apesar de camuflado, em diversas situações.

Para mostrar esse machismo que muita gente se recusa a ver, a ONU lançou uma nova (e excelente) campanha, para chamar a atenção quanto ao procedimento  dos homens em relação às mulheres, que consiste em uma série de imagens utilizando o campo de busca do Google mostrando as sugestões que ele dá baseado nas buscas das pessoas. É aquela famosa frase que vai surgindo conforme você digita algo no Google, sabe?

O resultado é preocupante, vejam só:

Com frases ‘chocantes’, a ‘campanha’ levanta discussão sobre os gêneros. Usaram FERRAMENTA de busca na internet para fazer uma campanha para

FERRAMENTA!!! Com ela, responde-se às perguntas como os homens  deveriam se portar em relação às mulheres. Com mais ‘educação’ e não a humilhando! Viramos mercadoria!

Viramos ferramentas. Que pouco caso, Senhor Secretário! Oficializarmo-nos como segundo sexo! Com frases depreciativas e ingênuas e após um conselho aos homens de como devem nos tratar.



 Mulheres deveriam:

ficar em casa/

ser escravas /

ficar na cozinha /              

não falar na igreja
Frase sugerida aos homens: Mulheres deveriam ter o direito de tomar decisões.





Mulheres precisam:

Ser colocadas em seu lugar

Saber seu lugar

Ser controladas

Serem disciplinadas

Mulher não tem vez

Frase sugerida aos homens em relação à mulher:
Mulheres precisam ser vistas com igualdade.





Mulheres não podem:

Dirigir

Ser bispas

Ser consideradas confiáveis

Falar na igreja
Frase sugerida aos os homens: Mulheres não podem aceitar as coisas como elas são.





Mulheres não deveriam

Ter direitos

Votar

Trabalhar

Lutar
Os homens deveriam trocar por: Mulheres não deveriam sofrer discriminação.


Engenhosa estratégia. Mulheres precisam ser ajudadas pelos homens: a ferramenta vai lá  e completa e vai atrás, autocompletada por mulheres que precisam se colocar em seu lugar, saber seu lugar, ser controladas, ser disciplinadas, mulher não tem vez.
O visual da campanha também é interessante. Escolheram  uma mulher com tipo bem diferente uma das outras.: 
loura, morena, islâmica,, meio índia. Não tem afrodescendente países que praticam a mutilação genitália feminina para impedir o prazer. Morrem de infecção. É dramático, condenável, inimaginável,  tudo isto figurar na lista das violências contra as mulheres.
Países árabes, não só, exigem a obediência total aos maridos, se se separam, elas são obrigadas a ficar com os pais. Meninas, muitas, não tem acesso à educação.

No Brasil, foi sugerido pelo governo a construção de mais casas para acolher as mulheres vítimas da violência masculina.
_ Bem , aí o homem pode dizer: casas construídas com nosso dinheiro! Vamos enchê-las. AH!!!
Testando:

A gente testou aqui e é verdade mesmo – as frases que vão surgindo conforme você digita algumas frases referente às mulheres comprovam que o machismo está bem longe de acabar, olha só:
Mulher precisa|: calar a boca, crescer, dormir mais, realizar trabalho fora da escola.
Mulher não pode: combinar trabalho e casa com sucesso, ser padres, pregadoras, ter tudo isto.
Mulher não deveriam estar em combate, não trabalhar,  não ser padres, permanecer em casa.

Fomos reduzidas oficialmente ao ‘segundo sexo’, mulher-objeto. Em termos: físico, espiritual e emocional. Com risco de existência. Sem perguntas.
Fui à Clarice Pinkolé Isté. Seu livro, Mulheres que correm com os lobos, analisa o existir da mulher. Seu auge foi nas décadas de 80 e 90. Foi meu livro de cabeceira.
Linguagem dela para todas elas. Com respeito e carinho. Apostando na mulher.
“A mulher é alma faminta. Tem fome por qualquer coisa que a faça viver."
 Porém digere:
Valores,propaganda, filosofias, tapas, perseguições, violências, agressões, queimaduras ( até com ácido), buling, mutilações, assassinatos de mulheres, insultos, desatenção, prisão, mágoa, o calar, o sofrer, o se submeter...
Privada de sua criatividade, percepção sensorial, dons artísticos.
Algumas se acham ‘felizes’! É preciso se rever o conceito de felicidade.
Qualquer coisa que lhe diminua a vida determinada pelo homem.

No espelho, a mágoa, ódio a si mesma, bajuladora, prisioneira, vítima, desatenta, com percepção embotada, existência em risco, submissa, triste, sorriso disfarçado, inconsciente de sua privação, ingênua, vítima sexual de prazeres pervertidos, ( lembrou de 50 tons de cinza), com relacionamentos prejudiciais etc...etc...etc...
Ou vê um par de sapatos vermelhos ( um conto do livro). História genial e crucial.

Enquanto fiquemos com índices assustadores de violência contra a mulher:
A cada 20 segundos, uma mulher é agredida.
A cada 2 horas, uma mulher é assassinada.
Por seus parceiros.

Os outros casos não entraram na pesquisa. Há casas para as agredidas. As outras perderam o dom da vida.
Poderíamos falar muito mais. Mais uma vez seremos tema de piada? Ou de buling?
Observação: Na próxima postagem, a análise de uma possível libertação. Nem que seja pra sonhar. Também de Clarice.

Clarissa Pinkola Estes 




"Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas."

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

É brincadeira!

Diante de um texto, o inesperado pode nos fisgar e  fotografar nosso corpo imóvel, até um grito nos acordar: "Tô aqui!" Foi  minha alma (energia) que explodiu, ao ler: "Ateu com alma". 
Passado o susto, fiquei feliz. Tenho alma! Que descoberta! Que  alegria! 
Parei pra pensar. Quem parou? Meu corpo? Minha alma? Se eu fosse atéia sem alma, quem pensaria? Qual seria minha identidade? Mas será que existe ateu sem alma? Seria um Ser bem esquisito! 
Tudo por causa de um texto lido, que fixa uma entrevista com Rebeca Goldstein, escritora (de Harvard) - publicou um livro dando dicas para o bom convívio de ateus e não ateus. ( Não sabia que não se davam bem.) O personagem dela, Cass Seltzer, é um ateu com alma.  
Tentei imaginar um ateu sem alma. Não deu. Mas para os religiosos dá! E como dá! É a teoria do "homem-dual" - corpo e alma. O corpo é da Terra, a alma, um pedaço de Deus! O corpo se alimenta com que a natureza providencia, e fica por aqui. A alma se nutre do alimento transcendental - a espiritualidade - e vai para o céu. Vai pra onde mesmo? Que lugar é esse que ninguém conhece, nem ouviu falar, mas que a humanidade defende com 'com unhas e dentes'? (Não com os meus.) Onde o eixo que une os dois? - me perguntei. Ficou confuso. Eu - cérebro - baratinei. Ah! Freud, você, que mapeou o inconsciente, deixou de fora a "ponte" até o consciente? Jung, seu "inconsciente coletivo", reunindo todas as mentes num só pensamento! Se você visse no que deu! 
Descobriram o DNA - do corpo . E o da alma? Ah! É de Deus. E o que impera no Brasil, dá pra envergonhar!
Fui até a palavra "anima". É 'energia' - que anima o corpo -  animava até há dois mil anos. De lá pra cá, passou a Ser transcendente, fazendo uma rápida viagem pelo Planeta. 'Espiritualidade não é alimento transcendental, não, é o 'poder de pensar a vida, experimentá-la, exercê-la, vivê-la diante do Infinito'. Do mistério. Afinal, não sabemos nem quem somos, pois o cérebro é ainda um mistério, apesar de sabermos nele alguma região que se faz marcar em alguma ação, ou mesmo manchas coloridas ativadas... Não sabemos nem em que matéria estamos mergulhados ( já falei disso), nem como as  pessoas chegaram à conclusão de que existe ateu com alma e ateu sem alma. Que confusão fazem com nossos vocábulos, quando dela se apropriam para seus intentos. (Aguardo o download de pensamentos.) E 'nutro' meu pensamento com a beleza do sol, do luar, do outro (especial), com tudo que encanta o Ser, principalmente o mistério. Aí está a chave! Deixo pra vocês pensarem.
E o ateu, já colocado no inferno - em vida!- tendo que ouvir frases constrangedoras, não para ele - quem disse que  elas o constrange?- ser qualificado de 'pedante', 'fanático', 'pecador', e vários adjetivos em oso: presunç, pretenci, vaid, orgulh, olha para o outro e vê o outro, olha para o infinito e vê o infinito ( e se for finito,  mas  vá lá, chega de confusão).  E nada de calar o corpo pra ouvir a alma, nem peregrinar pra se encontrar, o corpo usa os cinco sentidos (+ alguns) que nos fazem ter sensações deliciosas de vida e na vida. E como é bom!!! Charles Darwin, que bem você fez para a humanidade!
Ah! Ateu. Um Ser total! Único! 

             
P.S. No link acima, ver Jahn. Resumos de livros ateus. Entre outros.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Metáforas da Liberdade

Num exemplo simplista, uma reflexão de momento me levou ao último verso de um poema que escrevi: 'A escolha da liberdade'. Eu era jovem, talvez ainda não a entendesse. Mas a desejava. Resquícios de conceitos? Idealismo? O tempo, sempre o tempo, que dá cara aos momentos, me esboçou o passado: plantava-se no coração dos jovens o idealismo, a liberdade, alegria... trabalho. Mesmo no Brasil, aldeia fechada, que nos fechava também. Desmistifiquei obstáculos que impediam essas sementes de crescer. E tenho muito a aprender. Não sabia se elas venceriam. Meus textos foram meu diário. Eu vi um botão em cada texto escrito, e nas minhas poesias em particular. Foi nelas que aprendi a fazer metáforas.  A realidade se sobrepôs, e as metáforas se transformaram em arte. Jornada difícil. Aventura de vida. A metáfora na vida. Entendi.

  Liberdade tem Beleza, Elegância, Perfeição e Disciplina. Como o Universo.

  Assisti a uma entrevista, gravada, de Joseph Campbell ( O Poder do Mito). Toda a ânsia do Ser em criar uma ligação com o Universo.  Um exemplo de Mito. Mexeu comigo.  O mito e a expressão brilhante de seu olhar enquanto falava.
  "Ritual da sexualidade" entre índios: A festa dura dias. Muita dança, cantos. Uma cabana. Uma jovem, nua, deitada no chão. A jovem feliz.  Entra um rapaz para sua iniciação sexual. Depois mais um, outros. Felizes. Cientes de seu fim. Viveriam a sua verdade. No sexto, a cabana desaba. Mortos, assados, comidos.'

 Ainda na entrevista:
Repórter  ─ O mito é mentira!
Campbell ─ O mito é metáfora.
Repórter  ─ O mito é mentira!
  O escritor de repente compreendeu que o repórter não sabia o que era uma metáfora. Também questionou os mitos de hoje: Quais são nossos mitos? O mercado? Isso até 1987. De lá pra cá muita coisa, sutil e velozmente, aconteceu.

Assistindo ao jogo de vôlei da seleção brasileira, sua derrota previsível na quadra, observei um detalhe: em letras chamativas, o nome do patrocinador. Na camisa, no peito. Um pequeno símbolo, acima, se referia ao Brasil.
  Não era assim. Lembro-me das letras destacadas e inflamadas de entusiasmo -Brasil - nas camisas - verde - amarela - dos atletas. Eles representavam o Brasil. Tinham consciência disso. Eram nosso orgulho, éramos nós lutando - para vencer. Livres no patriotismo, no grito, na torcida, na alegria. Queríamos a Perfeição. A vitória. Foi uma sensação estranha.
  O detalhe na camisa me marcou. Como o brilho dos olhos do escritor, no caso horripilante narrado. Depois entendi que ele vibrava pelo mito em si. Este acabou. Outros não. Outros evoluíram. E fez a dramática pergunta: Quais os mitos atuais?
De lá para nossos dias, a humanidade deu um salto. Para o abismo? Cabe às gerações ainda presentes decidirem.
  
 Voltei ao jogo. O repórter, no desespero, gritava. Faltou técnica, faltou trabalho! Faltou responsabilidade! Disciplina! Faltou garra! Não pode deixar de receber a bola! O que é essa indecisão! Isso é levantamento?  Que tática!? Brasil! De repente um grande movimento. A torcida dele vai à loucura. Mais decisão! Mais potência na luta! Quanto mais erros você cometem, mais são dominados!  E a derrota. Não eram livres para a vitória.

Suas palavras  eram a ânsia de perfeição se manifestando, de liberdade abrindo uma brecha para a vitória, no grito de desespero ante a imagem da tristeza. Era comunicação íntegra, eficaz, que não comportava derrota. Mas aceita, cabisbaixa, coração apertado.

Onde nossos mitos para explicar o homem e o universo?
Fala-se no mercado, nas ideologias políticas ultrapassadas, que fazem e desfazem seguidores, que distribuem medalhas e  que criam suas próprias metáforas. Transformadas em realidade. E aguentemos os mitos arcaicos que nos dominam, dominam metade da humanidade, como os religiosos. Alguns de dois mil anos atrás. Outros mais. Outros recentes. Com personagens falsificados em tramas servis. A ciência é que defende a liberdade. Somos descendentes de símios. Agimos por imitação. 

Se mito é metáfora, ele não é mentira, mas não é realidade! Aí o problema. Transformar o mito em realidade. Mitos caducam. Aprisionam. São ninhos de preconceitos, de ignorância, são 'algemas invisíveis' (metáfora). Aí um empecilho para a liberdade. Aí o blefe imposto à humanidade.
Um vitória tem sua engrenagem. Na derrota do Brasil, ela não esteve presente. A liberdade tem sua essência. Me lembrei da Gestalt, de um seu princípio básico: o paradoxo: liberdade necessita de disciplina. Aprendi isso cedo. A minha e a compartilhada. Na comunidade. Na nação. No mundo.
Depois... o jogo de tênis. Federer jogando. A platéia iluminada com jogos de luzes, destacando rostos. Alegres, torcendo, vibrando, livres. Um cartaz se iluminou, uma metáfora brilhou: SE O TÊNIS FOSSE RELIGIÃO, FEDERER SERIA DEUS.
Nessa religião eu entraria: ELE lidera como gênio, lidera pela perfeição, pela liberdade, pela competência, pelo exemplo, pela emoção, não dita leis, não promete nada e não manda recados.
P.S. "Seus olhos (dele) são estrelas." Uma metáfora. Transformada em comparação: 'Seus olhos brilham como uma estrela brilha. Olhem mais atentamente para o seu olhar. Verão a liberdade.
Liberdade é comunicação.