Falar de amor é sempre uma fala prazerosa, que mais ainda se torna, quando um homem e uma mulher o vivem espontaneamente, com o carinho, o romantismo, a sensualidade, a sexualidade, a ternura de um pelo outro, como em "O sensual, de uma forma toda nossa". Os caminhos dos personagens foram diferentes até o encontro inesperado, que lhes abriu os olhos, em que as bocas sorriram e se falaram. Daí, se tornaram um nesses momentos em que criaram e celebraram situações amorosas, um misto de virtual-e-real.
Emoções,sentimentos expressos (do íntimo de cada um), risos, comentários, elogios, sacanagens, músicas, recordações, vivências – discussões, desentendimentos, acertos e e alegria - tudo em uma pergunta: Vivir, que es vivir?
Foram mentes que não tiveram relógio nem calendário, e se revelaram um ao outro, pela satisfação do encontro que a vida lhes presenteou. Juntos, construíram essa história de amor, fazendo do inesperado uma realidade, acreditando no destino, transformando instantes em realidade poética.
É uma obra que sai das mãos da autora e vai às mãos do leitor, que a vivifica. Depende desse sopro de vida para viver. Cria alma, fala de alma para alma, cumprindo seu destino de poema, num corpo atraente, sexy, bonito, criado por um artista, projetista gráfico. O poema é o corpo sensual, de um e do outro.
Numa escrita elegante, estilo coloquial, com precisão de palavras, figuras de linguagem, temas existenciais mesclados à sensualidade, tendo o tempo, o espaço, a vento, a lua e o sol, como artífices da arte poética, tornando-os ao mesmo tempo românticos, com estilo conciso e próprio.
É uma leitura saborosa, gravada com as “rimas íntimas da sensual ternura”.
São 35 poemas, que, como diz o autor do prefácio, “gostoso de ler, gostoso como tudo que ruboriza”.
É um falar de amor, construído com a felicidade, para ser saboreado sem o gosto de "pecado", ou melhor, "com o gosto de fruto do pecado ".
Fonte: http://pt.shvoong.com/books/poetry/2090258-sensual-uma-forma-s%C3%B3-nossa/#ixzz1Oo0hlTny
Poemas sensuais. 100 páginas. http://www.livrariascuritiba.com.br e a Edição digital: Amazon. Site: www.joanarolim.com
O sensual, de uma forma só nossa
terça-feira, 4 de junho de 2013
domingo, 2 de junho de 2013
O legado de Eva
Pesquisas são necessárias. Fixam quadros dantescos ou os transformam em charge ou alimentam o mercado de consumo ou viramlivros ou realizam catarses...
Numa pesquisa da Indiana University, publicada no Archives of Sexual Behavior, li sobre homens e mulheres - pesquisa feita por homens.
?!?! O fato é que ficaram "atônitos". Até o que sei, devo então estar
desatualizada, pra mim a expressão é ao contrário.Sabe-se então que
mulheres não se importam muito com abraços e beijos, mas os homens, sim!
Abraços e beijos os fazem trêêêsss vezes mais felizes. Não falaram do
porquê.
A
pesquisa suscitou comentários de profissionais no assunto. Instigou-os a
investigar. E fizeram pesquisas com... a mulher. Tinha que ser. E elas
responderam. Que coragem! Três perguntas foram formuladas:sobre sentimentalismo (não sentimento), sensualidade e sexualidade. Em relação aos homens. Sentimentalismo gerou lamúrias: "um homem com quem se compartilhe coisas, em quem se possa confiar, que seja gentil". Sensualidade
provocou nada menos que: "sorriso envolvente," "vigoroso, mas não
necessariamente atlético", "apaixonado pela vida e sexo". Sexualidade
teve a ousadia de ter respostas "profundas": "eles têm que ter mais
paciência conosco", "posições preferidas e, a mais densa, "diálogo no
dia a dia.
Ah! se tivessem perguntado por que os homens as chamam de "anjo", a resposta seria: Somos seres assexuados como eles.Afinal eles são modelos.
Como
de questionamentos e respostas como essas é que sai o alimento das
normas de comportamento, de mercados de consumo, de reportagens de capa,
de propagandas, da mídia em geral, numa imagem de photoshop ( ou desfigurando-a), parei pra pensar. Loira pensa!
Numa
reflexão descolada, dessas que a gente fecha com uma risada, me disse: "
É o legado de Eva!" Na simplória cena da... você sabe. E a realidade
tacanha se consolida, tal qual a maçã envenenada num gesto descarado,
dada, pelos contadores de estórias. Bruxos? "Ah!, não"" "Calma, foi uma bruxa".
Aí o lado engraçado da história (que pode não haver acordo): Se Eva tivesse se dado a um sexo gostoso e sensual, com orgasmo, e deixado de lado o sentimentalismo,
nossa estória seria outra. E me pergunto: "Que cabeça(s) imbecil (is)
inventou (aram) esta estória? (Uso esta, porque ela está perto de mim.) E
como ela se perpetuou? E cito o fato: a mulher como cúmplice. Como? O homem replicou rápido: "Foi ela que me tentou!" Coitadinho! Vítima. E impingiu na mulher o complexo de culpa.
Haja
paciência para aguentar a estória de alma gêmea, do pedaço que me
completa, do homem que me procurou nesta vida - já tínhamos sido amantes
em outra. Não sabia que faltava pedaço no ser humano! Ah, me desculpem,
é modo de falar.
Que legado! Cresce mais que nariz de Pinóquio. Tem "gato escondido nesta história".
O fato é que, na atualidade,depois da rebeldia
feminina, de gritos de ocasião, queima de sutiã, estamos mergulhadas em
um paradoxo:a sociedade em geral, desde a mídia unida ao
social-familiar, incentiva o sentimentalismo (aqui vai bem), a
sensualidade e a sexualidade e, ao mesmo tempo, com o faro de um cão de
guarda, transforma tudo isso num ato condenável, quando protagonistas
são flagrados em um "deslize" e se formam escândalos memoráveis,
pondo-se como guardiões da Árvore do Conhecimento.
É, a mulher está carente! Principalmente as casadas. Mas não para desespero.Estão aí os sites que "buscam amantes para mulheres casadas"
É so cadastrar o perfil. Depois de vencer o desafio.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Mulher Solidão
Mulher Solidão
Crianças nascem. Seus olhos se iluminam com a luz do mundo. Na mulher, luz que se ofusca. No homem, luz que se contamina... O ventre que os gerou, será por eles apunhalado.
Rússia. Jovens. Mulheres. Palco. Rostos mascarados. Cantam a liberdade. Canto sonoro. Canto-súplica. A polícia. A cadeia. O Governo: NÃO. Homens.
− Vídeo. Uma delas, na cadeia, com o olhar meigo da juventude que sonha realizar com plenitude sua vida, pede para cumprir a pena mais tarde, pois tem uma criança, sua filha, para cuidar.
Índia. Jovem. Num ônibus. Estuprada. 6 homens. Morta. Presos. Homens.
Índia. Meninas. 3anos.7anos.9anos. Estupradas! Jogadas num poço. Desconhecidos. Homens.
África do Sul. Jovem. Assassinada. Pelo parceiro. Homem.
Ele: Não fui eu, foi um bandido!
Ele: Não fui eu, foi um bandido!
Brasil. Paraná. Mulher. Assassinada. Pelo parceiro. Homem.
− Quando cheguei em casa, ela estava morta.
Brasil - Santa Maria: + de duzentos mortos. Feridos. Ganância . Irresponsabilidade. Homens.
Tingem o mundo de luto. Desprezo. Impunidade. Escravidão. Poder. Déspotas. Leis. Descaso. Religião. Autoridade.
Mundo-imagem: Indignação. Paralisia. Choque. Nervoso. ‘Não quero nem saber’. Gargalhadas masculinas.
ONU MULHER
Campanha para o fim da violência contra a MULHER.
Reunir 1 bilhão de pessoas para o lançamento da campanha.
Iniciativa da ex-presidente do Chile, Michele Basselet. O objetivo: reunir um bilhão de pessoas, caminhando, levantando, dançando, simplesmente exigindo o fim da violência contra as mulheres. E o resultado já pôde ser visto a partir de 14 de fevereiro no mundo todo, da Turquia à Itália, grupos de mulheres saíram às ruas protestando contra a violência sofrida pelas mulheres.
Dados das Nações Unidas: 70% das mulheres vão sofrer espancamentos, estupros, mutilações, tortura física e/ou mental. E outros abusos. É assustadora, assombrosa, esta situação em pleno século XXI.
Detalhes: os atos de violência contra adolescentes e mulheres de 14 a 44 anos matam mais que o câncer, a malária, acidentes de trânsito e as guerras somados.
Estados Unidos: 30% das mulheres que foram assassinadas, tiveram seu parceiro como assassino. Na África do Sul, uma mulher é assassinadaa cada 6 horas. Pelo parceiro. Na Guatemala, 2 mulheres são mortas por dia em média – mulheres e meninas representam 80% das oitocentas mil pessoas traficadas anualmente. A maioria para exploração sexual. Fora as que se vendem voluntariamente. 140 milhões de mulheres sofreram mutilação genital no mundo. E mais de 60 milhões são vítimas de casamentos arranjados antes de completaram 18 anos. A ONU MULHER calcula que também 150 milhões de meninas e meninos, de adolescentes menores de 18 anos sofreram alguma forma de violência sexual (dados de 2001). 150 milhões!!! Dez já se passaram depois disso. Só a ‘Igreja Católica”, os ‘representantes de Deus’, pagaram 600 milhões de euros em processos judiciais impetrados pelos meninos estrupados.
Em nosso Brasil, a cada 2 horas uma mulher é assassinada! Uma mulher é agredida a cada 15 segundos.
Prioridades da ONU MULHER. Acabar com a violência contra a mulher. O Secretário Geral da ONU apoia o fim das agressões. Pede aos líderes de todo mundo a cumprirem suas promessa de pôr fim a essas violências. Pedem a denúncia e punição dos agressores. Diz que a violência contra as mulheres é uma espécie de pandemia que se multiplica numa cultura de discriminação e impunidade.
Ele Lembrou que líderes internacionais vão estar na sede da ONU daqui a 3 semanas para participar da comissão sobre o estatuto da mulher. Ao todo 18 países já se comprometeram a participar desta iniciativa pra acabar com esta violência. Os outros estão fora por quê?
EU- Senhor Secretário da ONU, são 246 Países (ISO) ou 192 Países (ONU) ? 29.06.08
Que notícia auspiciosa: ELES prometeram. Não cumpriram. E daí?Pandemia? Como deixaram isto acontecer?
E...o desespero. Milhões de mulheres são cúmplices Deles.
− Estão nos matando! Socorro!
Fico com mil perguntas e quase nenhuma resposta. Por que permanece a tentação de eliminar a mulher?
Em Auschwitz, campo de concentração de UM HOMEM e seus comparsas, gravada num bloco:
− Mamãe, quando eles nos matarem vai doer?
−Não, queridíssima, não vai doer, vai levar só um minuto.
Joana Rolim
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
A Face na Realidade. Conto. Tema: A mulher.
Prezados leitores, MINHA HOMENAGEM À JOVEM ESTUDANTE INDIANA DE 23 ANOS, VÍTIMA DE ESTUPRO COLETIVO.
A Face na Realidade - Conto
A Face na Realidade - Conto
Inesperadamente, uma notícia que choca o mundo. Que dói em cada mulher. Mulher que quer ser, que quer exercer seu direito à vida. Que luta contra à desigualdade forjada pelos mitos religiosos e políticos. Que luta contra a submissão à Lei dos Homens.Mulher não tem Lei. Obedece-a simplesmente. Mulher que sente na carne e em seu íntimo a crueza dos atos masculinos - sem consciência humana, mas simplesmente animal.
Mulher que sente na realidade cotidiana o despreparo para viver num universo hostil a ela. Jamais imaginei que minha primeira crônica em 2013 seria esta homenagem póstuma, que reflete todos os estupros dos bilhões de mulheres que por isso passam, que sobrevivem ou morrem por.
A FACE NA REALIDADE, CONTO CLASSIFICADO NO "CONCORSO LETTERARIO INTERNAZIONALE VOZES & VOCI 2012 MENZIONE D´ ONORE
-CATEGORIA ORO
TEXTO: DI FONTE ALLA REALTÀ : JOANA ROLIM
PARTICIPAÇÃO COM DOIS CONTOS: A FACE NA REALIDADE E ESTRANHA MELODIA
Lançamento da Antologia Bilingue Vozes & Voci 2012 na Itália (Milão)
na Livraria Internazionale IL LIBRO, às Horas 16:30 - 29 de novembro
2012.
A
FACE NA REALIDADE
Sentada num banco do parque, suada,
cansada, olhava as pessoas andando, correndo. O aroma das árvores, no bosque
denso, que me tapava o sol, me impregnava
de energia. Sem pressa, alternava a posição do corpo. Um cumprimento.
─ A escritora-poeta... Bom dia!
─ Bom dia! Ela leu meu livro de poemas sensuais!
Ela espontânea. Eu espontânea. Ambas
sorrindo. E começou o conflito. Atordoei. A 'ficha caiu'. Que sensação
indescritível me inundou. Mas foi minha mente que gritou: 'O quê!' Confesso que me assustei. Meu mundo estava turvo. Respirei.
Refleti. Que 'medo' esquisito me retesou? Eu não tinha mais controle sobre meus
textos. E sabia do lema: 'Escritores' não
tem medo. Eu estava com.
Me espantava com a força dos seus textos
em suas palavras marcadas pela ausência
de submissão, pela certeza, denúncia na expressão, esperança pelo bem comum,
pelo olhar na civilização. Os grandes escritores são forjados em situações que
os erguem firmes, suas mãos materializam o tempo e o espaço. Sem o outro, mas
com todos os outros. Como se faz isso?
Criam seu universo e se fazem de deuses. No vazio, onde um tema que teima em
ser, se aninha, constroem seu mundo-ficção-realidade. Compartilham. O livro nos
pega de surpresa, ali vem o inédito, a permissão para espiar outro universo, o
deles. Nós, pegos no flagrante, nos entregamos a seu convite-astúcia.
─ É assim? Onde a senha? ─ pergunto a
eles.
Aprendi e apreendi o mundo-invenção,
invenção da vida que não foi, ou da vida que é, que oprime, destrói, exalta,
celebra. Ou para me livrar dela. Criei meu universo de personagens e escrevi
meus textos-ficção. Mesmo sabendo que sou o segundo sexo, como diz Simone de
Bouvoir. Uma outra dimensão da realidade se fez, complexa. Um desafio para mim
e para meu contexto. Insegura pela abertura das coisas? Que responsabilidade
ter mexido fundo na minha alma e na do outro.
─ Para um sonho? Feliz e apreensiva?
Ainda não tenho as respostas. Entrei
nessa aventura. Que prazer desvendar um mundo em mim inconsciente, face a face
com a realidade! Ouvi a palavra-caráter, a palavra-incentivo, a palavra-crítica
(às vezes cruel). Vi boca-fechada-engolindo-a-inveja, a-indiferença,
porta-na-cara, porta aberta, verbos de ação se fazendo e alternando a emoção.
Tudo enfrentei! Por que o medo agora?
Alguém se sentou no banco, ofegante.
Também cansada. Me virei para ela, ela não me olhou. Abriu uma garrafa d´água,
sorveu-a sedenta no gargalo. Jovem, cabelos ruivos, sardas. Não consegui ver
seus olhos. Ali estava uma realidade e uma história. Ainda não havia uma
personagem. Água! Água!Água! Olhei o
parque. Lá...ah! tem. Fui.
─ Sem gelo e sem gás, por favor.
No chuveiro, meu corpo se deixava tocar
por ele mesmo. O suor escorria na água tépida e minha mente torcia o passado.
─ Dafne! Dafne!
─
Escritora-poeta!... Que lindo! Que bálsamo!
Sou mulher, produto-da-civilização, O
Segundo Sexo. A mulher que se conforma, que reclama, denuncia?, obediente, sim, senhor, estou aqui, faço sim, já vou...não vou, não.... ou que sente
os músculos da garganta que se apertam e abafam a fala até a sufocar. Quando
desiste, eles se afrouxam e indicam o seu lugar. Eu me desafiei!
Me deram um papel travado ─ pilhagem da cultura? Me exigiram
decorado. Decorar eu decorei. E o cumpri, mais ou menos. Errava muito. Mas,
olhos perdidos, expressão vazia por vezes, a rotina me embalava. Os limites me
torturavam. Intuía um mundo diferente. Eram os livros que me puxavam, que
faziam da minha inquietação uma certeza, ou que me ensinavam o jogo de
descobrir. E de esconder. Quando menina, ao descobrir o sexual num poema, o
escondi no forro do casaco. Dos livros proibidos, trocava a capa. E os devorava.
'Livros-fusão' e 'livros-confusão', assim os marcava, assim os separava. Os
'fusão' me mimavam, me iludiam, passavam. Os 'confusão' me provocavam com a
polêmica astuta dos 'deuses', cuja palavra eu decifrava. Vibrava. Cabeça
levantada, sorriso malicioso de quem descobria o mundo, eu adentrava num
caminho desconhecido, a mim não mostrado. Eu o via! Eu o queria! O 'até onde'
me laçava. Havia fronteiras. Mas a poesia vencia, me pegava e eu com ela
brincava e eu com ela ria e eu com ela atingia um outro existir.
Estou
na fronteira. Existe fronteira?
Do
lado em que estou, existe.
E
agora?Agora parei.
Mas
acabei de fazer um poema!
Onde
o obstáculo?
Em um agora qualquer, com o corpo
liberto, se deixando levar pelo sonho, os olhos armando a cena em busca de um
momento indefinível ainda, eu repito com Pessoa: Que destino é o meu senão o de assistir ao meu Destino!
Eu leio buscando o segredo do autor. As
personagens o sabem. Perguntava a elas. Não me contavam.
─ Tola,
você contaria o seu? Não!
O livro só se fechava quando a realidade
me chamava.
─ Por que me mentiam meu destino?─ Eu ainda não tinha lido a Simone.
Me falta toda uma vida, desperdiçada em bancos
de igreja. Cheirei incenso demais, ajoelhei demais, cabeça baixa e mãos
espalmadas pairando no ar, porque amestradas, ouvi palavras vãs, mentiras em
troca de nada. Me ensinaram um mundo plano e me fizeram segredo do mundo
arrogante e das situações tortuosas que explodiriam. Em mim.
Na janela, o matiz vermelho e laranja de
fim de tarde seduzia meu olhar. Ainda tenho medo. Mas já compreendi o que é
escrever 'na carne'. Os escritores defendem seus textos contra tudo e contra
todos, enfrentado-os com suas personalidades responsáveis. Insegura, minhas forças ainda tateiam em
busca de apoio. Estou decifrando o que é manipular um tema, uma palavra, um
alguém inventado.
Minha vida molenga de mulher se mostra e
se conflita com o contexto desigual em que perambulo, onde me busco inteira.
Descobri a realidade-magia, o amor na poesia, o drama disfarçado que engana, o
mundo que forma vidas, e a me defender com lápis e papel. Tenho certeza do que
escrevo. Não tenho certeza de mim. Papéis se despedaçam. Não tenho cicatrizes
na alma. Vou continuar escrevendo na solidão do instante, no caos de minhas
experiências, no contar as histórias, mesmo que seja a de um estranho passando
por mim. Quando quiser um afago, vou relembrar das palavras que fizeram deste
texto uma partícula do meu universo.
─ A
escritora-poeta... Bom dia!
─ Bom
dia! Obrigada.
No momento, escrevo a história da menina
ruiva se fazendo personagem. Seus olhos são verdes.
FIM
P.S. A jovem indiana devia ter olhos negros. Todos os olhos das mulheres choraram por ela.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Tons Cinzas de Cinderela
2ª parte: cotinuação da postagem do dia 29/10/12
Tons cinzas de Cinderela
(ou 100milhões de Cinderelas nas cinzas?)
A guerra dos sexos
Quando pensamentos agem sobre outros pensamentos se torna
possível formarmos nossa informação. E como comentei numa postagem anterior : Como
Falar de Livros que não Lemos, falo de Cinquenta Tons de Cinza.
Uma foto da autora com um sorriso largo: Sexo não tem regras.
E acrescenta: O sexo faz parte de nós. Pergunta óbvia’. Você não
sabia?
O livro nasceu de uma brincadeira na internet e se
transformou numa estratégia de marketing. O marketing é a excelência no domínio
do cérebro na conquista de mentes, já que sabe como estimular lembranças do
passado, estados futuros. Sexo é a ordem do dia, função necessária para a
procriação, recompensada com prazer. Seres imaginários os têm, vampiros,
morto-vivo, bruxos, lobisomens. Todos fazem sexo. A civilização é comandada por
alguns poucos. ELES falam, os 90% obedecem. Os contos de fadas criam imagens
cruéis. A neurociência nos abre a informação: vivemos a queda do centro de nós
mesmos. Livre-arbítrio é uma ficção. O além é uma fixação. A gente é cérebro.
Os memes dominam. O cérebro pode ter danos.
A vida da mulher é rotina. Quem não quer um orgasmo! Sucesso!
Erika (E.L.James) explica que o livro é um conto de fadas. Nasceu de
Cinderela, de seu príncipe, do filme de vampiros, O Crepúsculo, e DA
NECESSIDADE DO MERCADO: sexo para mulheres. Nada de mais, os contos de fadas
são cruéis. E fomos cridas com eles. Lembram
daquele que a bruxa prende Joãozinho e Maria numa gaiola para comê-los depois?
Madrasta humilhando Cinderela. Tá aí! Humilhação – Anastasia Este sentimento agride.
Cristian espanca o bumbum da garota. Afinal ele é um sujeito traumatizado, dá
surras, coloca fetiches dentro do corpo da mulher, obrigando-a a andar para ter
sensações, a usar vendas, algemas, tudo que submete uma mulher à dor.
Imobiliza-a física e moralmente. O abuso sexual o instigou na vida a chicotear
as mulheres. Nosso cérebro faz nosso comportamento. Fora da situação sexual
continuamos os mesmos.
Freud decifrou a alma feminina? Que mito! Com conceitos retrógrados do milênio passado! E vi o filme Um Método Perigoso! Jung e Freud. O filme é uma obra prima. Freud e Jung. Cenas à parte. Ouvi só, na conversa deles sobre o método psicanalítico, expressões: talvez, pode ser, isso representa algo para você, você mistura superstição. E uma cena que me parou. Parecia o Cristian açoitando a Anastasia. Vi Jung açoitando o bumbum da amante-paciente-com problemas histéricos. Esclareço que é ela que pede. Mas ele aceita. Bate. E sabem por quê? Sabina só sentia prazer na dor. E muito interessante, também, é forma como ele foi influenciado por um ‘paciente com problemas mentais’, enviados por Freud. Açoitar a amante foi também um prazer para ele! O filme diz tudo, num linguagem nota dez. Só podia dar no que deu. Freud associa o sexo à morte. Yung, o sexo à dor. Fico com Darwin. Sem alma. Sem dor.
Em uma entrevista, a autora se declara tão pervertida quanto
quem a lê. Mas diz que conserva sua integridade! Conceitos são forjados.
Integridade é nome abstrato.Freud decifrou a alma feminina? Que mito! Com conceitos retrógrados do milênio passado! E vi o filme Um Método Perigoso! Jung e Freud. O filme é uma obra prima. Freud e Jung. Cenas à parte. Ouvi só, na conversa deles sobre o método psicanalítico, expressões: talvez, pode ser, isso representa algo para você, você mistura superstição. E uma cena que me parou. Parecia o Cristian açoitando a Anastasia. Vi Jung açoitando o bumbum da amante-paciente-com problemas histéricos. Esclareço que é ela que pede. Mas ele aceita. Bate. E sabem por quê? Sabina só sentia prazer na dor. E muito interessante, também, é forma como ele foi influenciado por um ‘paciente com problemas mentais’, enviados por Freud. Açoitar a amante foi também um prazer para ele! O filme diz tudo, num linguagem nota dez. Só podia dar no que deu. Freud associa o sexo à morte. Yung, o sexo à dor. Fico com Darwin. Sem alma. Sem dor.
Ao livro.
Fiz três incursões no livro. Em poucas linhas, chicotadas, já
citada na primeira postagem;, em outra, numa livraria, o tirei da pilha de megassucessos: “Ele passava óleo de bebê
na minha b... A outra, por acaso, três linhas das primeiras cem folhas. Já sei
que nada acontece nelas.
O personagem, Cristian, procurando vítima para extravasar seu
trauma sexual. Até aí, um homem rico, abusado por uma mulher. Sempre a velha
desculpa. Isso lhe deu o direito de açoitar uma jovem virgem — tirada do começo do século passado, virgindade e inocência defendida. Assim era, não é Freud? : ‘As mulheres nem sabiam nem como nascia um bebê’. Ah! Ele a
encontra e a faz vítima de sua trama. Ela é uma Cinderela, e ele vai mostrar-lhe
que sexo e dor andam juntos, enfim um
homem mentalmente pervertido e traumatizado que achou uma mulher que se
submeteu a ele. Homem rico é assim, toma
as mulheres, o pobre é que estupra, dizem no dia a dia. Verdade? Conhecem a
história do Barba-azul?
Concluí que é uma história coreografada para incluir o sexo
sadomasoquista. Me lembrei do Marquês de Sade... Site pornográfico inventa até
historinhas legais. Claro que às vezes tratam as mulheres como animais (batendo
no bumbum para ver a qualidade, tal qual se fazem em alguns animais), mas
talvez eu não tenha me aprofundando e seja assim mesmo. Passeio romântico entre
príncipe e Cinderelas, em interpretações tortuosas dos contos de fada. Tudo
coreografado para incluir o sexo sadomasoquista. O milionário, a jovem
inocente, virgem (aliás, uma jovem
brasileira – na internet- conseguiu um milhão e meio de dólares para ser
desvirginada. Esperta! A virgindade vale ouro, meninas, guardem as suas como
tesouro. Os tempos são outros. A propósito, a virgindade das Índias (12 anos) no
Amazonas, vale R$20,00). Duas brasileiras e dois preços!
Do livro chega. Como diz o Arnaldo Jabor, o livro é ruim. O
filme vai ser ruim. Confio no Jabor.
Mas é um megassucesso. 100 milhões de livros vendidos! . Num
tom cinza de desafio, o romance está eletrizando mulheres e homens.
Mudei meu foco para os 100 milhões de leitores. Eles, elas são
realmente os megassucessos.
As reportagens sobre o livro foram inteligentemente feitas.
As perguntas, com segunda intenção e mensagens subliminares, desnudam a autora,
o livro e as leitoras. Dá para se informar.
Assim, li testemunhos, críticas, humor (mulheres como as
lagartixas), sacrifícios, opiniões. Expressões: É careta, o mais erótico, que impacta, tom (cinza) enigmático, vou
pensar em atos iguais, cativa, choca, me apaixonei pelo Cristian?! Seduz com
maestria, é tudo que a mulherada quer (aí, pera aí, chicote foi criado por
ditadores, autoritários, mafiosos, pervertidos e religiosos).
O sucesso está no âmago das leitoras. Todas elas sonham em ser
a ‘outra’! A que dá prazer! Isto partindo da classificação que os ‘ homens’
fizeram da mulher: a IMACULADA, a minha (não tenham muita certeza), e a OUTRA, mestra na arte sexual. Hoje, Elas
querem ser a ‘OUTRA’! Um marido ciumento: E
agora? O que minha mulher vai pedir na cama? Vai arranjar amante? Foi no
que deu a historinha bíblica criada no alvorecer da civilização, fazendo-a
sonhar com a felicidade com entes celestiai s- todos assexuados. A realidade em
letras bem grandes: SEXO=PECADO CAPITAL. Os confessionários desapareceram. O
feitiço virou contra o feiticeiro.
A mulher é e foi enganada desde os primórdios, é frágil e se
dissolve na sua ignorância. Largar tudo é uma atitude drástica. É complicado o
jogo do poder. Causa espanto.
Quem está por trás? Façam o caminho do dinheiro.
Me lembro da cena de estupro
no livro de Stieg Larson, ( Os homens que não amavam as mulheres, o primeiro de uma trilogia com o tema: tráfico de
mulheres) em que ela, Lisbeth ( uma tremenda criação de personagem,) enfrenta seu tutor, que já a estuprou mas quer
repetir, grava as cenas com uma máquina de filmar e o ameaça com a divulgação.
Se defendeu com inteligência. Ali havia uma personagem-mulher. Com seus
traumas, gente, sexual, no sentido prazer. E Michael, então! Que homem! Só que
o filme irritou pelo descaso para com o livro e personagens.
Anastasia. Não é uma personagem. É um tipo – previsível,
fabricada. Cristian uma fórmula. Como será o filme? Mega-sucesso? Tenho ou não
razão? A perversão de Cristian é que enlouquece. Ah! E a que estava na
escuridão mental de Anastasia.
Fiz uma adaptação do conto Cinderela para o teatro. Quis tirar Cinderela da tortura conto em que a fizeram protagonista. Eu lhe dei um
toque de paciência e esperteza. Ela se safa da ficção e vem para a realidade
numa outra peça. Odiava sua história. Quanto ao príncipe ela já o achava uma
chatice. E PERVERTIDO. Mas a história era assim. Fazendo um paralelo com
Cristian, o príncipe tinha uma psique conturbada, pode-se dizer pervertida. Dançou com ela três noites, conversou, a
beijou, e, vendo que ela sempre se safava, pôs piche na escada para
imobilizá-la. Não deu. Ela tirou o pé do sapatinho. À procura pela dona do
sapato, Sua Alteza Imperial três vezes bateu na porta do Pai de Cinderela.
Aceitou as outras duas irmãs a princípio, mas as irmãs
tiveram que cortar dedo, calcanhar.
Cinderela — É conto de fadas ou conto-cão?
O príncipe voltou uma terceira vez. Viu-se enganado. E
defrontou-se com Ashenputel.
Cinderela — Não me
reconheceu! Só olha para meu pé! Mate a charada. Deusa das Cinzas! Te disse no
palácio!
Eu, hein!
Final: Sessão de autógrafos. Erika deslumbrada: ‘É uma diversão!’
Uma menina de 15 anos, com o livro, vem pedir um autógrafo a
ela.
Erika (com vontade de dar um pito nela):
— Sua mãe sabe que você está lendo ISTO
aqui?
Erika está bem consciente que seu livro é um ‘ISTO AQUI’ sexual. A MENINA NÃO!
— Erika, por que o pseudônimo E.L.James?
Pausa para a poesia:
É doce o conhecimento trazido pela natureza;
Nosso intelecto intrometido
Deforma os belos feitios das coisas:
Assassinamos para dissecar. (Wiliam Wordsworth)
No site http://joanarolim.com/arquivo/ um documentário (sem imagens)
sobre pesquisas e experiências científicas para desvendar os segredos do sexo. Com muita paciência.
Guerra dos sexos? Aí saímos ganhando! 20segundos a 2.
Joana Rolim
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segunda-feira, 29 de outubro de 2012
A Guerra dos Sexos
A GUERRA DOS SEXOS
Manchete: A mulher venceu a guerra do sexo. Marketing?
Ciência? Política? Mas que acendeu um desejo íntimo, uma chama que iluminaria
uma disputa bíblica e que se poderia falar em igualdade dos sexos, acendeu. Fiquei
curiosa pela reportagem, com certeza.
Esta é a opinião da jornalista americana Hanna Rosin.
Diz que os homens dominam há 400 anos.
As mulheres, há 40. Leis e regras já existem. ‘ É crime oprimir ou discriminar as mulheres – na democracia.’ (Fora
dela, podem o que quiserem. A mulher não reclama.) Eu sempre pensei que
democracia inclui IGUALDADE! Feliz é
o homem que pode viver sem lei e sem regra.
Pra ele a democracia funciona. Se sou feminista? Sou.
400 anos? O domínio começou na Idade Média? Deixa pra lá.
Vamos aos fatos. Na mídia.
Revista aberta, feitos de homens: 90%. Na política, nos
negócios, nas invenções, na tecnologia, na filosofia, nos esportes... Os 10%
restantes nas páginas escancaradas: duas fotos de mulheres: uma atriz, seminua,
sorrindo, nos revela seus desejos: quero
emagrecer 3 quilos e levantar meu bumbum. Outra de uma socialite mi ou
bilionária. Seus desejos: ter o jato marca ... o melhor e mais caro do mundo, (ela
tem jatinho) e ganhar na Mega Sena.
Virando a página: Uma reportagem de mulheres que sofreram abuso sexual na
infância, um pedido de uma ‘celebridade’, na Justiça, para retirar cenas de
sexo (públicas) encenadas na juventude. Outra, à procura de fotos dela nua, que
ganharam a internet. E uma mulher
acusada de chantagear o juiz em defesa do marido preso. É, a mulher ganhou a
guerra dos sexos. Quem não está na revista, está batalhando por um segundo
trabalho, ou passando roupa, ou levando as crianças nas atividades, ou
esperando o marido ou outro afazer rotineiro de donas de casa. Ou jogando
buraco. Ou escrevendo... como eu agora.
Outra manchete me chamou a atenção: Vingança na novela. Tive
de ler devagar para entender, já que não sou fã desse gênero. Uma
personagem passa a vida fazendo maldades
aos outros. Motivo.. sofreu abuso do pai na meninice. Ah! Freud!
Um entrevista com a autora de Cinquenta Tons de Cinza, E.L.James,
com seu romance de sexo sadomasoquista, o sucesso no planeta Terra. Toda a
mídia imaginável ou ainda por imaginar, tratando-o como megassucesso. O que realmente está sendo. E como sugeriu um
humorista, as mulheres subiam as paredes como lagartixas. Conseguiu que eu
risse. Fiquei imaginando-as agarradas às paredes. Foi no que deu a palavra de
ordem religiosa: Sexo: pecado capital.
Detalhe: falam do livro como erótico!!!!! Jogada de
marketing. Aliás, o livro é marketing. A obsessão pelo sexo explodiu. Elas têm
razão. Nada como conhecer técnicas sexuais novas, fazendo a mixagem da dor e do
prazer. A cada chicotada, um sorriso e exclamação num gemido: Bata outra vez, meu querido.
Uma ironia. Um romance da escritora e ativista americana,
Naomi Wolf, Vagina, com o tema: o
preconceito que a sociedade tem em relação ao órgão genital feminino. Seu
livro foi censurado, mais precisamente a palavra Vagina. Assim, o iTunes Store exigiu a troca de título. Ficou ‘V’. E V insinua tanta coisa... E
cada palavra que se referia a sexo, só era escrita em sua primeira letra + ...
Ex.: p..., b...
Li atentamente as três ultimas reportagens. Todas de
escritores. Me interessa e muito. Quanto
mais falando da mulher.
Gostei de Naomi Wolf, me comuniquei com ela. Um avanço no
assunto mulher.
Sobre a vingança na novela Avenida Brasil. É interessante que
sempre há uma desculpa para a maldade da mulher: abuso sexual. A maldade dos homens, ah! são vítimas. Vocês
conhecem a história bíblica... É incrível como a mulher é mostrada em seus
aspectos mais submissos, fracassados, maldosos e desestimulantes, com uma
ignorância impublicável.
Cinquenta Tons de Cinza. O megassucesso. O sexo não tem
regras, diz ela. Ela disse, tá dito.
Não li o livro, mas as notícias chegam até a gente. Afinal,
após a Globo anunciar o sucesso, as filas, no Brasil, se formaram nas portas da
livrarias. Como lagartixas... elas...E eu, curiosa, numa reunião. abri o livro
que uma amiga ganhou de presente, no começo. Nada acontecia. Folheei
aleatoriamente e li... minhas pupilas
dilataram, as chicotadas. Três no ventre e outra no clitóris. Li em voz alta.
Silêncio absoluto. Dei de ombros. Fazer o quê! Fechei o livro, mas o abri outra vez... mas no final. Bem...risinho malicioso....
Continua...
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