O sensual, de uma forma só nossa

O sensual, de uma forma só nossa

terça-feira, 4 de junho de 2013

Falar de amor é sempre uma fala prazerosa, que mais ainda se torna, quando um homem e uma mulher o vivem espontaneamente, com o carinho, o romantismo, a sensualidade, a sexualidade, a ternura de um pelo outro, como em "O sensual, de uma forma toda nossa". Os caminhos dos personagens foram diferentes até o encontro inesperado, que lhes abriu os olhos, em que as bocas sorriram e se falaram. Daí, se tornaram um nesses momentos em que criaram e celebraram situações amorosas, um misto de virtual-e-real.
Emoções,sentimentos expressos (do íntimo de cada um), risos, comentários, elogios, sacanagens, músicas, recordações, vivências – discussões, desentendimentos, acertos e e alegria - tudo em uma pergunta: Vivir, que es vivir?
Foram mentes que não tiveram relógio nem calendário, e se revelaram um ao outro, pela satisfação do encontro que a vida lhes presenteou. Juntos, construíram essa história de amor, fazendo do inesperado uma realidade, acreditando no destino, transformando instantes em realidade poética.
É uma obra que sai das mãos da autora e vai às mãos do leitor, que a vivifica. Depende desse sopro de vida para viver. Cria alma, fala de alma para alma, cumprindo seu destino de poema, num corpo atraente, sexy, bonito, criado por um artista, projetista gráfico. O poema é o corpo sensual, de um e do outro.
Numa escrita elegante, estilo coloquial, com precisão de palavras, figuras de linguagem, temas existenciais mesclados à sensualidade, tendo o tempo, o espaço, a vento, a lua e o sol, como artífices da arte poética, tornando-os ao mesmo tempo românticos, com estilo conciso e próprio.
É uma leitura saborosa, gravada com as “rimas íntimas da sensual ternura”.
São 35 poemas, que, como diz o autor do prefácio, “gostoso de ler, gostoso como tudo que ruboriza”.
É um falar de amor, construído com a felicidade, para ser saboreado sem o gosto de "pecado", ou melhor, "com o gosto de fruto do pecado ".

Fonte: http://pt.shvoong.com/books/poetry/2090258-sensual-uma-forma-s%C3%B3-nossa/#ixzz1Oo0hlTny

O Livro.

domingo, 2 de junho de 2013

O legado de Eva

Pesquisas são necessárias. Fixam quadros dantescos ou os transformam  em charge ou alimentam o mercado de consumo ou viramlivros ou realizam catarses...

Numa pesquisa da Indiana University, publicada no Archives of Sexual Behavior, li sobre homens e mulheres - pesquisa feita por homens. ?!?! O fato é que ficaram "atônitos". Até o que sei, devo então estar desatualizada, pra mim a expressão é ao contrário.Sabe-se então que mulheres não se importam muito com abraços e beijos, mas os homens, sim! Abraços e beijos os fazem trêêêsss vezes mais felizes. Não falaram do porquê.
A pesquisa suscitou comentários de profissionais no assunto. Instigou-os a investigar. E fizeram pesquisas com... a mulher. Tinha que ser. E elas responderam. Que coragem! Três perguntas foram formuladas:sobre sentimentalismo (não sentimento), sensualidade e sexualidade. Em relação aos homens. Sentimentalismo gerou lamúrias: "um homem com quem se compartilhe coisas, em quem se possa confiar, que seja gentil". Sensualidade provocou nada menos que: "sorriso envolvente," "vigoroso, mas não necessariamente atlético", "apaixonado pela vida e sexo". Sexualidade teve a ousadia de ter respostas "profundas": "eles têm que ter mais paciência conosco", "posições preferidas e, a mais densa, "diálogo no dia a dia.

Ah! se tivessem perguntado por que os homens as chamam de "anjo", a resposta seria: Somos seres assexuados como eles.Afinal eles são modelos.

Como de questionamentos e respostas como essas é que sai o alimento das normas de comportamento, de mercados de consumo, de reportagens de capa, de propagandas, da mídia em geral, numa imagem de photoshop ( ou desfigurando-a), parei pra pensar. Loira pensa!
Numa reflexão descolada, dessas que a gente fecha com uma risada, me disse: " É o legado de Eva!" Na simplória cena da... você sabe. E a realidade tacanha se consolida, tal qual a maçã envenenada num gesto descarado, dada, pelos contadores de estórias. Bruxos? "Ah!, não"" "Calma, foi uma bruxa".

Aí o lado engraçado da história (que pode não haver acordo): Se Eva tivesse se dado a um sexo gostoso e sensual, com orgasmo, e deixado de lado o sentimentalismo, nossa estória seria outra. E me pergunto: "Que cabeça(s) imbecil (is) inventou (aram) esta estória? (Uso esta, porque ela está perto de mim.) E como ela se perpetuou? E cito o fato:  a mulher como cúmplice. Como? O homem replicou rápido: "Foi ela que me tentou!" Coitadinho! Vítima. E impingiu na mulher o complexo de culpa.

Haja paciência para aguentar a estória de alma gêmea, do pedaço que me completa, do homem que me procurou nesta vida - já tínhamos sido amantes em outra. Não sabia que faltava pedaço no ser humano! Ah, me desculpem, é modo de falar. 

Que legado! Cresce mais que nariz de Pinóquio. Tem "gato escondido nesta história".
O fato é que, na atualidade,depois da rebeldia feminina, de gritos de ocasião, queima de sutiã, estamos mergulhadas em um paradoxo:a sociedade em geral, desde a mídia unida ao social-familiar, incentiva o sentimentalismo (aqui vai bem), a sensualidade e a sexualidade e, ao mesmo tempo, com o faro de um cão de guarda, transforma tudo isso num ato condenável, quando protagonistas são flagrados em um "deslize" e se formam escândalos memoráveis, pondo-se como guardiões da Árvore do Conhecimento.

É, a mulher está carente! Principalmente as casadas. Mas não para  desespero.Estão aí os sites que "buscam amantes para mulheres casadas"
É so cadastrar o perfil. Depois de vencer o desafio.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Mulher Solidão

Mulher Solidão

Crianças nascem. Seus olhos se iluminam com a luz do mundo. Na mulher, luz que se ofusca. No homem, luz que se contamina... O ventre que os gerou, será por eles apunhalado.

Rússia. Jovens. Mulheres. Palco. Rostos mascarados. Cantam a liberdade. Canto sonoro. Canto-súplica. A polícia. A cadeia. O Governo: NÃO. Homens.

− Vídeo. Uma delas, na cadeia, com o olhar meigo da juventude que sonha realizar com plenitude sua vida, pede para cumprir a pena mais tarde, pois tem uma criança, sua filha, para cuidar.

Índia. Jovem. Num ônibus. Estuprada. 6 homens. Morta. Presos. Homens.

Índia. Meninas. 3anos.7anos.9anos. Estupradas! Jogadas num poço. Desconhecidos. Homens.

África do Sul. Jovem. Assassinada. Pelo parceiro. Homem.
Ele: Não fui eu, foi um bandido!

Brasil. Paraná. Mulher. Assassinada. Pelo parceiro. Homem.

− Quando cheguei em casa, ela estava morta.

Brasil - Santa Maria: + de duzentos mortos. Feridos. Ganância . Irresponsabilidade. Homens.

Tingem o mundo de luto. Desprezo. Impunidade. Escravidão. Poder. Déspotas. Leis. Descaso. Religião. Autoridade.

Mundo-imagem: Indignação. Paralisia. Choque. Nervoso. ‘Não quero nem saber’. Gargalhadas masculinas.

ONU MULHER

Campanha para o fim da violência contra a MULHER.

Reunir 1 bilhão de pessoas para o lançamento da campanha.

Iniciativa da ex-presidente do Chile, Michele Basselet. O objetivo: reunir um bilhão de pessoas, caminhando, levantando, dançando, simplesmente exigindo o fim da violência contra as mulheres. E o resultado já pôde ser visto a partir de 14 de fevereiro no mundo todo, da Turquia à Itália, grupos de mulheres saíram às ruas protestando contra a violência sofrida pelas mulheres.

Dados das Nações Unidas: 70% das mulheres vão sofrer espancamentos, estupros, mutilações, tortura física e/ou mental. E outros abusos. É assustadora, assombrosa, esta situação em pleno século XXI.

Detalhes: os atos de violência contra adolescentes e mulheres de 14 a 44 anos matam mais que o câncer, a malária, acidentes de trânsito e as guerras somados.

Estados Unidos: 30% das mulheres que foram assassinadas, tiveram seu parceiro como assassino. Na África do Sul, uma mulher é assassinadaa cada 6 horas. Pelo parceiro. Na Guatemala, 2 mulheres são mortas por dia em média – mulheres e meninas representam 80% das oitocentas mil pessoas traficadas anualmente. A maioria para exploração sexual. Fora as que se vendem voluntariamente. 140 milhões de mulheres sofreram mutilação genital no mundo. E mais de 60 milhões são vítimas de casamentos arranjados antes de completaram 18 anos. A ONU MULHER calcula que também 150 milhões de meninas e meninos, de adolescentes menores de 18 anos sofreram alguma forma de violência sexual (dados de 2001). 150 milhões!!! Dez já se passaram depois disso. Só a ‘Igreja Católica”, os ‘representantes de Deus’, pagaram 600 milhões de euros em processos judiciais impetrados pelos meninos estrupados.

Em nosso Brasil, a cada 2 horas uma mulher é assassinada! Uma mulher é agredida a cada 15 segundos.

Prioridades da ONU MULHER. Acabar com a violência contra a mulher. O Secretário Geral da ONU apoia o fim das agressões. Pede aos líderes de todo mundo a cumprirem suas promessa de pôr fim a essas violências. Pedem a denúncia e punição dos agressores. Diz que a violência contra as mulheres é uma espécie de pandemia que se multiplica numa cultura de discriminação e impunidade.

Ele Lembrou que líderes internacionais vão estar na sede da ONU daqui a 3 semanas para participar da comissão sobre o estatuto da mulher. Ao todo 18 países já se comprometeram a participar desta iniciativa pra acabar com esta violência. Os outros estão fora por quê?

  EU- Senhor Secretário da ONU, são 246 Países (ISO) ou 192 Países (ONU) ? 29.06.08
          Que notícia auspiciosa: ELES prometeram. Não cumpriram. E daí?
          Pandemia? Como deixaram isto acontecer?

E...o desespero. Milhões de mulheres são cúmplices Deles.

− Estão nos matando! Socorro!

Fico com mil perguntas e quase nenhuma resposta. Por que permanece a tentação de eliminar a mulher?

Em Auschwitz, campo de concentração de UM HOMEM e seus comparsas, gravada num bloco:

− Mamãe, quando eles nos matarem vai doer?

−Não, queridíssima, não vai doer, vai levar só um minuto.

Joana Rolim


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A Face na Realidade. Conto. Tema: A mulher.

Prezados leitores, MINHA HOMENAGEM À JOVEM ESTUDANTE INDIANA DE 23 ANOS, VÍTIMA DE ESTUPRO COLETIVO.
                                A Face na Realidade - Conto

Inesperadamente, uma notícia que choca o mundo. Que dói em cada mulher. Mulher que quer ser, que quer exercer seu direito à vida. Que luta contra à desigualdade forjada pelos mitos religiosos e políticos. Que luta contra a submissão à Lei dos Homens.Mulher não tem Lei. Obedece-a simplesmente. Mulher que sente na carne e em seu íntimo a crueza dos  atos  masculinos - sem consciência humana, mas simplesmente animal.
Mulher que sente na realidade cotidiana o despreparo para viver num universo hostil a ela. Jamais imaginei que minha primeira crônica em 2013 seria esta homenagem póstuma, que reflete todos os estupros dos bilhões de mulheres que por isso passam, que sobrevivem ou morrem por.

             A FACE NA REALIDADE, CONTO CLASSIFICADO NO "CONCORSO LETTERARIO INTERNAZIONALE VOZES & VOCI 2012 MENZIONE D´ ONORE 
-CATEGORIA ORO
TEXTO: DI FONTE ALLA REALTÀ : JOANA ROLIM
PARTICIPAÇÃO COM DOIS CONTOS: A FACE NA REALIDADE E  ESTRANHA MELODIA 

 Lançamento da Antologia Bilingue Vozes & Voci 2012 na Itália (Milão) na Livraria Internazionale IL LIBRO, às Horas 16:30 - 29 de novembro 2012.

 

A FACE NA REALIDADE

   Sentada num banco do parque, suada, cansada, olhava as pessoas andando, correndo. O aroma das árvores, no bosque denso, que me tapava o sol, me impregnava  de energia. Sem pressa, alternava a posição do corpo. Um cumprimento.
   ─ A escritora-poeta... Bom dia!
   ─ Bom dia! Ela leu meu livro de poemas sensuais!
   Ela espontânea. Eu espontânea. Ambas sorrindo. E começou o conflito. Atordoei. A 'ficha caiu'. Que sensação indescritível me inundou. Mas foi minha mente que gritou: 'O quê!' Confesso que me assustei. Meu mundo estava turvo. Respirei. Refleti. Que 'medo' esquisito me retesou? Eu não tinha mais controle sobre meus textos. E sabia do lema: 'Escritores' não tem medo. Eu estava com.
   Me espantava com a força dos seus textos em suas palavras marcadas pela ausência de submissão, pela certeza, denúncia na expressão, esperança pelo bem comum, pelo olhar na civilização. Os grandes escritores são forjados em situações que os erguem firmes, suas mãos materializam o tempo e o espaço. Sem o outro, mas com todos os outros. Como se faz isso? Criam seu universo e se fazem de deuses. No vazio, onde um tema que teima em ser, se aninha, constroem seu mundo-ficção-realidade. Compartilham. O livro nos pega de surpresa, ali vem o inédito, a permissão para espiar outro universo, o deles. Nós, pegos no flagrante, nos entregamos a seu convite-astúcia.
   ─ É assim? Onde a senha? ─ pergunto a eles.
   Aprendi e apreendi o mundo-invenção, invenção da vida que não foi, ou da vida que é, que oprime, destrói, exalta, celebra. Ou para me livrar dela. Criei meu universo de personagens e escrevi meus textos-ficção. Mesmo sabendo que sou o segundo sexo, como diz Simone de Bouvoir. Uma outra dimensão da realidade se fez, complexa. Um desafio para mim e para meu contexto. Insegura pela abertura das coisas? Que responsabilidade ter mexido fundo na minha alma e na do outro.
   ─ Para um sonho? Feliz e apreensiva?
   Ainda não tenho as respostas. Entrei nessa aventura. Que prazer desvendar um mundo em mim inconsciente, face a face com a realidade! Ouvi a palavra-caráter, a palavra-incentivo, a palavra-crítica (às vezes cruel). Vi boca-fechada-engolindo-a-inveja, a-indiferença, porta-na-cara, porta aberta, verbos de ação se fazendo e alternando a emoção. Tudo enfrentei! Por que o medo agora?
Alguém se sentou no banco, ofegante. Também cansada. Me virei para ela, ela não me olhou. Abriu uma garrafa d´água, sorveu-a sedenta no gargalo. Jovem, cabelos ruivos, sardas. Não consegui ver seus olhos. Ali estava uma realidade e uma história. Ainda não havia uma personagem. Água! Água!Água! Olhei o parque. Lá...ah! tem. Fui.
   ─ Sem gelo e sem gás, por favor.
   No chuveiro, meu corpo se deixava tocar por ele mesmo. O suor escorria na água tépida e minha mente torcia o passado.
   ─ Dafne! Dafne!
   ─ Escritora-poeta!... Que lindo! Que bálsamo!
   Sou mulher, produto-da-civilização, O Segundo Sexo. A mulher que se conforma, que reclama, denuncia?, obediente, sim, senhor, estou aqui, faço sim, já vou...não vou, não.... ou que sente os músculos da garganta que se apertam e abafam a fala até a sufocar. Quando desiste, eles se afrouxam e indicam o seu lugar. Eu me desafiei!
   Me deram um papel travado ─ pilhagem da cultura? Me exigiram decorado. Decorar eu decorei. E o cumpri, mais ou menos. Errava muito. Mas, olhos perdidos, expressão vazia por vezes, a rotina me embalava. Os limites me torturavam. Intuía um mundo diferente. Eram os livros que me puxavam, que faziam da minha inquietação uma certeza, ou que me ensinavam o jogo de descobrir. E de esconder. Quando menina, ao descobrir o sexual num poema, o escondi no forro do casaco. Dos livros proibidos, trocava a capa. E os devorava. 'Livros-fusão' e 'livros-confusão', assim os marcava, assim os separava. Os 'fusão' me mimavam, me iludiam, passavam. Os 'confusão' me provocavam com a polêmica astuta dos 'deuses', cuja palavra eu decifrava. Vibrava. Cabeça levantada, sorriso malicioso de quem descobria o mundo, eu adentrava num caminho desconhecido, a mim não mostrado. Eu o via! Eu o queria! O 'até onde' me laçava.    Havia fronteiras. Mas a poesia vencia, me pegava e eu com ela brincava e eu com ela ria e eu com ela atingia um outro existir.
   Estou na fronteira. Existe fronteira?
   Do lado em que estou, existe.
   E agora?Agora parei.
   Mas acabei de fazer um poema!
   Onde o obstáculo?
   Em um agora qualquer, com o corpo liberto, se deixando levar pelo sonho, os olhos armando a cena em busca de um momento indefinível ainda, eu repito com Pessoa: Que destino é o meu senão o de assistir ao meu Destino!
   Eu leio buscando o segredo do autor. As personagens o sabem. Perguntava a elas. Não me contavam.
   ─ Tola, você contaria o seu? Não!
   O livro só se fechava quando a realidade me chamava.
   ─ Por que me mentiam meu destino?─ Eu ainda não tinha lido a Simone.
  Me falta toda uma vida, desperdiçada em bancos de igreja. Cheirei incenso demais, ajoelhei demais, cabeça baixa e mãos espalmadas pairando no ar, porque amestradas, ouvi palavras vãs, mentiras em troca de nada. Me ensinaram um mundo plano e me fizeram segredo do mundo arrogante e das situações tortuosas que explodiriam. Em  mim.
   Na janela, o matiz vermelho e laranja de fim de tarde seduzia meu olhar. Ainda tenho medo. Mas já compreendi o que é escrever 'na carne'. Os escritores defendem seus textos contra tudo e contra todos, enfrentado-os com suas personalidades responsáveis.  Insegura, minhas forças ainda tateiam em busca de apoio. Estou decifrando o que é manipular um tema, uma palavra, um alguém inventado.
Minha vida molenga de mulher se mostra e se conflita com o contexto desigual em que perambulo, onde me busco inteira. Descobri a realidade-magia, o amor na poesia, o drama disfarçado que engana, o mundo que forma vidas, e a me defender com lápis e papel. Tenho certeza do que escrevo. Não tenho certeza de mim. Papéis se despedaçam. Não tenho cicatrizes na alma. Vou continuar escrevendo na solidão do instante, no caos de minhas experiências, no contar as histórias, mesmo que seja a de um estranho passando por mim. Quando quiser um afago, vou relembrar das palavras que fizeram deste texto uma partícula do meu universo.
   ─ A escritora-poeta... Bom dia!
   ─ Bom dia! Obrigada.
   No momento, escrevo a história da menina ruiva se fazendo personagem. Seus olhos são verdes.
                                                                   
                                                                       FIM

 P.S. A jovem indiana devia ter olhos negros. Todos os olhos das mulheres choraram por ela.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Tons Cinzas de Cinderela



 2ª parte: cotinuação da postagem do dia 29/10/12

Tons cinzas de Cinderela


 (ou 100milhões de Cinderelas nas cinzas?)

A guerra dos sexos

Quando pensamentos agem sobre outros pensamentos se torna possível formarmos nossa informação. E como comentei numa postagem anterior : Como Falar de Livros que não Lemos, falo de Cinquenta Tons de Cinza.

Uma foto da autora com um sorriso largo: Sexo não tem regras. E acrescenta: O sexo faz parte de nós. Pergunta óbvia’.  Você não sabia?

O livro nasceu de uma brincadeira na internet e se transformou numa estratégia de marketing. O marketing é a excelência no domínio do cérebro na conquista de mentes, já que sabe como estimular lembranças do passado, estados futuros. Sexo é a ordem do dia, função necessária para a procriação, recompensada com prazer. Seres imaginários os têm, vampiros, morto-vivo, bruxos, lobisomens. Todos fazem sexo. A civilização é comandada por alguns poucos. ELES falam, os 90% obedecem. Os contos de fadas criam imagens cruéis. A neurociência nos abre a informação: vivemos a queda do centro de nós mesmos. Livre-arbítrio é uma ficção. O além é uma fixação. A gente é cérebro. Os memes  dominam. O cérebro pode ter danos. A vida da mulher é rotina. Quem não quer um orgasmo! Sucesso!

Erika (E.L.James) explica que  o livro é um conto de fadas. Nasceu de Cinderela, de seu príncipe, do filme de vampiros, O Crepúsculo, e DA NECESSIDADE DO MERCADO: sexo para mulheres. Nada de mais, os contos de fadas são cruéis.  E fomos cridas com eles. Lembram daquele que a bruxa prende Joãozinho e Maria numa gaiola para comê-los depois? Madrasta humilhando Cinderela. Tá aí! Humilhação – Anastasia Este sentimento agride. Cristian espanca o bumbum da garota. Afinal ele é um sujeito traumatizado, dá surras, coloca fetiches dentro do corpo da mulher, obrigando-a a andar para ter sensações, a usar vendas, algemas, tudo que submete uma mulher à dor. Imobiliza-a física e moralmente. O abuso sexual o instigou na vida a chicotear as mulheres. Nosso cérebro faz nosso comportamento. Fora da situação sexual continuamos os mesmos.

Freud decifrou a alma feminina? Que mito!  Com conceitos retrógrados do milênio passado! E vi o filme Um Método Perigoso! Jung e Freud. O filme é uma obra prima. Freud e Jung. Cenas à parte. Ouvi só, na conversa deles sobre o método psicanalítico, expressões: talvez, pode ser, isso representa algo para você, você mistura superstição. E uma cena que me parou. Parecia o Cristian açoitando a Anastasia. Vi Jung açoitando o bumbum da amante-paciente-com problemas histéricos.  Esclareço que é ela que pede. Mas ele aceita. Bate. E sabem por quê? Sabina só sentia prazer na dor. E muito interessante, também, é forma como ele foi influenciado por um ‘paciente com problemas mentais’, enviados por Freud. Açoitar a amante foi também um prazer para ele!  O filme diz tudo, num linguagem nota dez. Só podia dar no que deu. Freud associa o sexo à morte. Yung, o sexo à dor. Fico com Darwin. Sem alma. Sem dor.
Em uma entrevista, a autora se declara tão pervertida quanto quem a lê. Mas diz que conserva sua integridade! Conceitos são forjados. Integridade é nome abstrato.

Ao livro.
Fiz três incursões no livro. Em poucas linhas, chicotadas, já citada na primeira postagem;, em outra, numa livraria, o tirei da pilha  de megassucessos: “Ele passava óleo de bebê na minha b... A outra, por acaso, três linhas das primeiras cem folhas. Já sei que nada acontece nelas.

O personagem, Cristian, procurando vítima para extravasar seu trauma sexual. Até aí, um homem rico, abusado por uma mulher. Sempre a velha desculpa. Isso lhe deu o direito de açoitar uma jovem virgem — tirada do começo do século passado, virgindade e inocência defendida.  Assim era, não é Freud? : ‘As mulheres nem  sabiam nem como nascia um bebê’. Ah! Ele a encontra e a faz vítima de sua trama. Ela é uma Cinderela, e ele vai mostrar-lhe que sexo  e dor andam juntos, enfim um homem mentalmente pervertido e traumatizado que achou uma mulher que se submeteu a ele. Homem rico é assim,  toma as mulheres, o pobre é que estupra, dizem no dia a dia. Verdade? Conhecem a história do Barba-azul?

Concluí que é uma história coreografada para incluir o sexo sadomasoquista. Me lembrei do Marquês de Sade... Site pornográfico inventa até historinhas legais. Claro que às vezes tratam as mulheres como animais (batendo no bumbum para ver a qualidade, tal qual se fazem em alguns animais), mas talvez eu não tenha me aprofundando e seja assim mesmo. Passeio romântico entre príncipe e Cinderelas, em interpretações tortuosas dos contos de fada. Tudo coreografado para incluir o sexo sadomasoquista. O milionário, a jovem inocente, virgem  (aliás, uma jovem brasileira – na internet- conseguiu um milhão e meio de dólares para ser desvirginada. Esperta! A virgindade vale ouro, meninas, guardem as suas como tesouro. Os tempos são outros. A propósito, a virgindade das Índias (12 anos) no Amazonas, vale R$20,00). Duas brasileiras e dois preços!
Do livro chega. Como diz o Arnaldo Jabor, o livro é ruim. O filme vai ser ruim. Confio no Jabor.

Mas é um megassucesso. 100 milhões de livros vendidos! . Num tom cinza de desafio, o romance está eletrizando mulheres e homens.
Mudei meu foco para os 100 milhões de leitores. Eles, elas são realmente os megassucessos.

As reportagens sobre o livro foram inteligentemente feitas. As perguntas, com segunda intenção e mensagens subliminares, desnudam a autora, o livro e as leitoras. Dá para se informar.
Assim, li testemunhos, críticas, humor (mulheres como as lagartixas), sacrifícios, opiniões. Expressões: É careta, o mais erótico, que impacta, tom (cinza) enigmático, vou pensar em atos iguais, cativa, choca, me apaixonei pelo Cristian?! Seduz com maestria, é tudo que a mulherada quer (aí, pera aí, chicote foi criado por ditadores, autoritários, mafiosos, pervertidos e religiosos).

O sucesso está no âmago das leitoras. Todas elas sonham em ser a ‘outra’! A que dá prazer! Isto partindo da classificação que os ‘ homens’ fizeram da mulher: a IMACULADA, a minha  (não tenham muita certeza),  e a OUTRA, mestra na arte sexual. Hoje, Elas querem ser a ‘OUTRA’! Um marido ciumento: E agora? O que minha mulher vai pedir na cama? Vai arranjar amante? Foi no que deu a historinha bíblica criada no alvorecer da civilização, fazendo-a sonhar com a felicidade com entes celestiai s- todos assexuados. A realidade em letras bem grandes: SEXO=PECADO CAPITAL. Os confessionários desapareceram. O feitiço virou contra o feiticeiro.

A mulher é e foi enganada desde os primórdios, é frágil e se dissolve na sua ignorância. Largar tudo é uma atitude drástica. É complicado o jogo do poder. Causa espanto.

Quem está por trás? Façam o caminho do dinheiro.

Me lembro da cena de estupro no livro de Stieg Larson, ( Os homens que não amavam as mulheres, o primeiro  de uma trilogia com o tema: tráfico de mulheres) em que ela, Lisbeth ( uma tremenda criação de personagem,)  enfrenta seu tutor, que já a estuprou mas quer repetir, grava as cenas com uma máquina de filmar e o ameaça com a divulgação. Se defendeu com inteligência. Ali havia uma personagem-mulher. Com seus traumas, gente, sexual, no sentido prazer. E Michael, então! Que homem! Só que o filme irritou pelo descaso para com o livro e personagens.

Anastasia. Não é uma personagem. É um tipo – previsível, fabricada. Cristian uma fórmula. Como será o filme? Mega-sucesso? Tenho ou não razão? A perversão de Cristian é que enlouquece. Ah! E a que estava na escuridão mental de Anastasia.

Fiz uma adaptação do conto Cinderela para o teatro.  Quis tirar Cinderela da tortura conto  em que a fizeram protagonista. Eu lhe dei um toque de paciência e esperteza. Ela se safa da ficção e vem para a realidade numa outra peça. Odiava sua história. Quanto ao príncipe ela já o achava uma chatice. E PERVERTIDO. Mas a história era assim. Fazendo um paralelo com Cristian, o príncipe tinha uma psique conturbada, pode-se dizer pervertida. Dançou com ela três noites, conversou, a beijou, e, vendo que ela sempre se safava, pôs piche na escada para imobilizá-la. Não deu. Ela tirou o pé do sapatinho. À procura pela dona do sapato, Sua Alteza Imperial três vezes bateu na porta do Pai de Cinderela. Aceitou as outras duas irmãs a princípio,  mas  as irmãs tiveram que cortar dedo, calcanhar.

Cinderela — É conto de fadas ou conto-cão?

O príncipe voltou uma terceira vez. Viu-se enganado. E defrontou-se com Ashenputel.

 Cinderela — Não me reconheceu! Só olha para meu pé! Mate a charada. Deusa das Cinzas! Te disse no palácio!

Eu, hein!
Final: Sessão de autógrafos. Erika deslumbrada: ‘É uma diversão!’

Uma menina de 15 anos, com o livro, vem pedir um autógrafo a ela.
Erika (com vontade de dar um pito nela):

— Sua mãe sabe que você está lendo ISTO aqui?
Erika está bem consciente que seu livro é um ‘ISTO AQUI’ sexual. A MENINA NÃO!

— Erika, por que o pseudônimo E.L.James?

Pausa para a poesia:


É doce o conhecimento trazido pela natureza;

Nosso intelecto intrometido

Deforma os belos feitios das coisas:

Assassinamos para dissecar. (Wiliam Wordsworth)

 P.S. O orgasmo é um verdadeiro quebra-cabeça científico, é presente da evolução e todos nós temos direito. Com prazer. Mas não é maioria... Existem 100milhões que gostam de ....

No site http://joanarolim.com/arquivo/  um documentário (sem imagens) sobre pesquisas e experiências científicas  para desvendar os segredos do sexo.  Com muita paciência.

Guerra dos sexos? Aí saímos ganhando! 20segundos a 2.
Joana Rolim

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A Guerra dos Sexos


A GUERRA DOS SEXOS

Manchete: A mulher venceu a guerra do sexo. Marketing? Ciência? Política? Mas que acendeu um desejo íntimo, uma chama que iluminaria uma disputa bíblica e que se poderia falar em igualdade dos sexos, acendeu. Fiquei  curiosa pela reportagem, com certeza.

Esta é a opinião da jornalista americana Hanna Rosin. Diz  que os homens dominam há 400 anos. As mulheres, há 40. Leis e regras já existem. ‘ É crime oprimir ou discriminar as mulheres – na democracia.’ (Fora dela, podem o que quiserem. A mulher não reclama.) Eu sempre pensei que democracia inclui IGUALDADE! Feliz é o homem que pode viver sem lei e sem regra.  Pra ele a democracia funciona. Se sou feminista? Sou.

400 anos? O domínio começou na Idade Média? Deixa pra lá.

Vamos aos fatos. Na mídia.

Revista aberta, feitos de homens: 90%. Na política, nos negócios, nas invenções, na tecnologia, na filosofia, nos esportes... Os 10% restantes nas páginas escancaradas: duas fotos de mulheres: uma atriz, seminua, sorrindo, nos revela seus desejos: quero emagrecer 3 quilos e levantar meu bumbum. Outra de uma socialite mi ou bilionária. Seus desejos: ter o jato marca ... o melhor e mais caro do mundo, (ela tem  jatinho) e ganhar na Mega Sena. Virando a página: Uma reportagem de mulheres que sofreram abuso sexual na infância, um pedido de uma ‘celebridade’, na Justiça, para retirar cenas de sexo (públicas) encenadas na juventude. Outra, à procura de fotos dela nua, que ganharam a internet.  E uma mulher acusada de chantagear o juiz em defesa do marido preso. É, a mulher ganhou a guerra dos sexos. Quem não está na revista, está batalhando por um segundo trabalho, ou passando roupa, ou levando as crianças nas atividades, ou esperando o marido ou outro afazer rotineiro de donas de casa. Ou jogando buraco. Ou escrevendo... como eu agora.

Outra manchete me chamou a atenção: Vingança na novela. Tive de ler devagar para entender, já que não sou fã desse gênero. Uma personagem  passa a vida fazendo maldades aos outros. Motivo.. sofreu abuso do pai na meninice. Ah! Freud!

Um entrevista com a autora de Cinquenta Tons de Cinza, E.L.James, com seu romance de sexo sadomasoquista, o sucesso no planeta Terra. Toda a mídia imaginável ou ainda por imaginar, tratando-o como megassucesso.  O que realmente está sendo. E como sugeriu um humorista, as mulheres subiam as paredes como lagartixas. Conseguiu que eu risse. Fiquei imaginando-as agarradas às paredes. Foi no que deu a palavra de ordem religiosa: Sexo: pecado capital.

Detalhe: falam do livro como erótico!!!!! Jogada de marketing. Aliás, o livro é marketing. A obsessão pelo sexo explodiu. Elas têm razão. Nada como conhecer técnicas sexuais novas, fazendo a mixagem da dor e do prazer. A cada chicotada, um sorriso e exclamação num gemido: Bata outra vez, meu querido.

Uma ironia. Um romance da escritora e ativista americana, Naomi Wolf, Vagina, com o tema: o preconceito que a sociedade tem em relação ao órgão genital feminino. Seu livro foi censurado, mais precisamente a palavra Vagina. Assim, o iTunes Store exigiu a troca de título. Ficou ‘V’. E V insinua tanta coisa... E cada palavra que se referia a sexo, só era escrita em sua primeira letra + ... Ex.: p..., b...

Li atentamente as três ultimas reportagens. Todas de escritores. Me interessa  e muito. Quanto mais falando da mulher.

Gostei de Naomi Wolf, me comuniquei com ela. Um avanço no assunto mulher.

Sobre a vingança na novela Avenida Brasil. É interessante que sempre há uma desculpa para a maldade da mulher: abuso sexual.  A maldade dos homens, ah! são vítimas. Vocês conhecem a história bíblica... É incrível como a mulher é mostrada em seus aspectos mais submissos, fracassados, maldosos e desestimulantes, com uma ignorância impublicável.

Cinquenta Tons de Cinza. O megassucesso. O sexo não tem regras, diz ela. Ela disse, tá dito.

Não li o livro, mas as notícias chegam até a gente. Afinal, após a Globo anunciar o sucesso, as filas, no Brasil, se formaram nas portas da livrarias. Como lagartixas... elas...E eu, curiosa, numa reunião. abri o livro que uma amiga ganhou de presente, no começo. Nada acontecia. Folheei aleatoriamente  e li... minhas pupilas dilataram, as chicotadas. Três no ventre e outra no clitóris. Li em voz alta. Silêncio absoluto. Dei de ombros. Fazer o quê! Fechei o livro, mas o abri outra vez... mas no final. Bem...risinho malicioso....

Continua...